Procedência de peças: como validar antes da instalação

Como validar a procedência de uma peça antes de instalar

Atividades industriais nunca devem ser compreendidas como simples. A substituição de componentes é um ótimo exemplo para este contexto. Muitos realizam este exercício sem direcionar a devida atenção a fatores que condicionam o resultado positivo.

Um desses fatores é a procedência da peça utilizada na substituição, já que influencia na confiabilidade, segurança e desempenho do equipamento.

Muitos profissionais, sobretudo os que recém ingressaram no mercado de trabalho, não compreendem que uma válvula, sensor, inversor de frequência ou componente pneumático fora da especificação, por exemplo, podem apresentar características distintas daquele previsto no projeto original.

Isso traz a necessidade de, antes da instalação, seguir procedimentos que validam a robustez de uma substituição mais confiável. Entre elas, destaca-se a especificação técnica, documentação e origem.

Bem, na verdade o que você precisa saber para validar a procedência de uma peça antes de instalar vai além disso. É por isso que você precisa, a partir de agora, acompanhar este texto e mitigar o risco de falhas prematuras e paradas não programadas devido a manutenções mal realizadas.

Primeiro passo: identificação técnica

A identificação técnica não deve ser realizada no momento em que a substituição vai ocorrer, e sim no recebimento do material.

Por isso, muitas empresas têm uma área específica para isso. A área da Qualidade de Recebimento.

Neste momento, deve-se fazer o checklist técnico para verificar se o componente atende às necessidades industriais (o que diz respeito às suas variáveis e limites) como pressão, temperatura, tensão, material, capacidade ou classe de proteção.

Como identificar?

Realize a identificação por meio de:

  • Código do fabricante;
  • Número de série;
  • Part number;
  • Modelo;
  • Revisão do produto;
  • Lote de fabricação;
  • Etiqueta ou gravação no próprio componente;
  • Datasheet e catálogo técnico.

Exemplo

Vamos considerar uma válvula solenoide que precisa ser substituída em um sistema pneumático.

Você vai encontrar uma válvula com as mesmas dimensões que a original, mas este fator não é suficiente para a substituição. A pressão de operação, tensão de acionamento ou tipo de conexão também são informações fundamentais.

Em outros exemplos, ocorre o mesmo com um sensor de temperatura RTD, um pressostato, um transmissor de pressão ou um inversor de frequência.

Portanto, não deixe de comparar o código recebido com a especificação definida pela engenharia, manutenção e fabricante do equipamento.

Rastreabilidade e documentação

Este é o seu segundo passo a seguir. Não defina a peça como de procedência somente pela informação fornecida pelo vendedor. É super importante, sempre que aplicável, solicitar documentos que permitam a rastreabilidade e origem da peça.

Em quais documentos devo me basear?

Busque estes documentos:

  • Nota fiscal;
  • Certificado de conformidade;
  • Certificado de material;
  • Certificado de calibração;
  • Certificado de teste;
  • Relatório de inspeção;
  • Declaração de origem;
  • Datasheet;
  • Manual do fabricante;
  • Documentação de lote e número de série.

A importância da rastreabilidade

Para componentes críticos, a rastreabilidade é ainda mais importante. Afinal de contas, por meio da rastreabilidade a empresa pode identificar quais equipamentos receberam peças determinado lote, caso apresentem falhas.

Suponha que sejam instaladas conexões de aço inoxidável em linhas de processo químico. Este material pode apresentar aparência semelhante a outro tipo de aço (como aço que sofreu polimento), mas sua composição química é diferente, inclusive a sua resistência à corrosão.

Todo este alvoroço é evitado quando existe um certificado de material associado ao lote, já que torna possível relacionar um componente instalado à sua documentação de fabricação.

Verifique, além disso, informações sobre o fornecedor. Veja:

  • Fabricante;
  • Distribuidor autorizado;
  • Revendedor especializado;
  • Integrador;
  • Fornecedor independente.

Compare a peça recebida com a especificação original

Não assuma que seja impossível ocorrer erros por parte do fornecedor. Faça uma inspeção de recebimento para avaliar se as características do produto recebido equivalem ao produto solicitado.

Alguns pontos que podem ser avaliados são:

Dois rolamentos, por exemplo, podem ter o mesmo diâmetro interno, externo, e a mesma largura.

No entanto, a geometria dos seus elementos internos (rolo, esfera) e cargas suportadas podem ser diferentes.

Dois sensores indutivos, no mesmo cenário, podem ter formato e roscas iguais, mas grau de proteção e distância de detecção distintos, o que levaria a falhas técnicas.

Inspeção antes da instalação evita problemas posteriores

Quando se trata de plano de manutenção, empresas costumam preparar checklists de inspeção para evitar quaisquer problemas que possam surgir em virtude de elementos sem procedência.

O mesmo, inclusive, pode ser realizado para a inspeção de qualidade de recebimento, já que elementos industriais são normalmente padronizados e o checklist pode ser destinado para cada um deles.

E, você sabe por que seria interessante fazer o checklist?

Muitos acham que isso é “perfumaria”. Mas, essa verificação pode salvar a sua empresa de uma próxima falha que possa gerar custos muito maiores, comprometendo a produção, aumentando ainda mais as horas de manutenção, provocando perda de matéria-prima e gerando retrabalho.

Lembre-se: a procedência é um requisito de confiabilidade!

Este texto lhe fornece, de diversas maneiras, informações que tornam aumentam a confiabilidade do seu processo.

Se bem realizadas, as tratativas descritas podem ser ferramentas poderosas a favor da mitigação de riscos sem que antes eles cheguem ao processo produtivo.

Quanto mais robusta a análise, melhor será. E, como dica de ouro, declaramos que nela você deve combinar:

  • Identificação técnica;
  • Rastreabilidade;
  • Documentação;
  • Fornecedor;
  • Inspeção dimensional;
  • Conformidade com a especificação de engenharia.

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