A indústria, embora esteja se desenvolvendo exponencialmente na engenharia e tecnologia, ainda está suscetível a falhas.
Essas falhas, apesar de serem muitas vezes previstas ou evitadas por métodos de manutenção, em muitos casos ainda têm grandes chances de ocorrerem, principalmente quando há negligência da empresa ou do responsável pela especificação, manutenção ou substituição de componentes.
Como isso ocorre? Bem, basta implementar um elemento de procedência desconhecida ou não comprovada, mas que aparentemente seja adequado aos equipamentos industriais, sistemas elétricos, estruturas, máquinas e instalações.
Por consequência, as falhas ocorrem, e a perícia de engenharia entra em ação para identificar qual componente foi utilizado, de onde ele veio e se atendia ou não às especificações aplicáveis.
É neste momento, inclusive, que a rastreabilidade de componentes é essencial.
Bem, nota-se que estamos prestes a tratar sobre um assunto muito importante para o contexto industrial, sendo mais relevante quanto maior a sua responsabilidade neste âmbito.
Para saber mais detalhes sobre o assunto, pedimos que você permaneça neste texto até o fim.
Por que a procedência é importante em uma perícia?
Quando há perícia, verificar se determinada peça está instalada ou se apresenta sinais de falha não é suficiente.
Sempre que possível, é interessante compreender o que foi especificado, o que foi adquirido, o que foi recebido e o que efetivamente foi instalado.
Veja que, desta maneira, obtém-se um conjunto de informações que podem ser analisadas e cruzadas, a fim de comparar:
- As características do que foi recebido;
- O que foi solicitado no pedido;
- As normas técnicas envolvidas;
- Requisitos de projeto;
- Especificações do fabricante;
- Condições de operação.
Exemplo
Uma máquina sofreu uma falha após uma manutenção, a qual houve substituição de um rolamento.
O rolamento, considerando as suas dimensões de diâmetro interno, diâmetro externo e largura, parece compatível com o que foi removido.
Entretanto, a sua capacidade de carga estática e dinâmica não foram considerados, nem mesmo a velocidade admissível.
Se não houver documentação que permita identificar sua origem e especificação, a investigação da causa da falha se torna mais complexa.
Veja, portanto, como a procedência e a evidência impactam na reconstrução da cadeia técnica do componente.
Conhecer o fabricante é suficiente?
Em uma investigação de engenharia, deve-se atentar minuciosamente aos detalhes e o quão complexo a rastreabilidade deve ser.
Lembre-se do percurso em que um produto passa até chegar em suas mãos, como:
Fabricante → fornecedor → lote → certificado → recebimento → inspeção → instalação → equipamento → manutenção.
Se detalhadas, cada uma dessas etapas pode fornecer informações relevantes.
Considerações
- Considere que, embora a marca do produto esteja estampada em alguma superfície, ele pode ter passado por um distribuidor;
- Este distribuidor pode não ter seguido as devidas condições de armazenamento;
- A instalação pode ter sido realizada em um equipamento distinto daquele previsto originalmente;
- A peça pode não possuir número de lote de certificado e componente instalado correspondentes.
Assim, analisar somente documentos pode ser uma ação superficial demais.
Quais documentos podem ser relevantes?
Visto tudo o que foi tratado até agora, os principais documentos relacionados ao contexto são:
- Nota fiscal e documentação de aquisição;
- Pedido de compra;
- Especificação técnica;
- Desenho ou projeto;
- Catálogo do fabricante;
- Certificado de matéria-prima;
- Certificado de conformidade;
- Certificado de calibração;
- Registros de inspeção e recebimento;
- Número de série;
- Número de lote;
- Registros de manutenção;
- Ordens de serviço;
- Relatórios de testes;
- Registros de controle de qualidade;
- Documentos de homologação de fornecedores.
Quer mais segurança na procedência dos componentes utilizados na sua operação?
A ausência de documentação comprova que o componente é inadequado?
Quando não houver documento que comprove as características do componente, não o julgue como inadequado para aquela aplicação.
De forma imparcial, deve-se considerar que apenas não foram apresentados documentos suficientes para comprovar que o componente instalado atende à especificação prevista no projeto.
Como a procedência pode ajudar na identificação da causa da falha?
Responder essa pergunta atinge o objetivo deste texto.
Então, vamos às considerações específicas:
A procedência de um componente industrial contribui para diversas hipóteses de investigação, já que um componente pode ter sido:
- Especificado incorretamente;
- Entregue com características diferentes das especificadas (mais comum do que você imagina);
- Substituído por outro modelo;
- Instalado de forma indevida;
- Armazenado em condições inadequadas;
- Aplicado em condições incoerentes com os limites determinados em catálogo;
- Sofrido manutenção inadequada;
- Fornecido sem comprovação de conformidade;
- Instalado sem inspeção prevista.
Além disso, a procedência torna-se mais relevante quando analisada em conjunto com outros fatores, como condições de operação, histórico de manutenção, projeto, instalação, inspeção e evidências de falha.
Se aplicável, podem ser exigidos ensaios, medições, análise metalográfica, testes elétricos, análise dimensional ou outros procedimentos compatíveis com o objeto da perícia.
Conclusão
A procedência de componentes em laudos técnicos e perícia de engenharia deve ser relacionada à conformidade.
Enquanto a procedência diz respeito à origem e ao histórico de fornecimento do componente, a conformidade está relacionada ao atendimento dos requisitos especificados, sejam eles de projeto, normas técnicas, fabricantes ou requisitos contratuais.
A rastreabilidade, neste contexto todo, é a ação que permite relacionar o componente que falhou aos registros ao longo da cadeia que o especificam.
Assim, a discussão sobre falha, não conformidade, substituição de peças ou responsabilidade por danos ganha uma resposta sólida e detalhada.
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FAQ – Procedência de componentes em laudos e perícias
1. Por que a procedência de um componente é importante em uma perícia de engenharia?
A procedência permite reconstruir a cadeia técnica do componente, verificando o que foi especificado, adquirido, recebido e efetivamente instalado. Isso facilita a comparação com requisitos de projeto, normas técnicas e especificações do fabricante.
2. Quais documentos ajudam a comprovar a procedência de um componente industrial?
Nota fiscal, pedido de compra, especificação técnica, certificados, registros de inspeção, números de série e lote, ordens de serviço, relatórios de testes e documentos de homologação de fornecedores estão entre os principais registros.
3. A ausência de documentação significa que um componente é inadequado?
Não necessariamente. Segundo o artigo, a ausência de documentação indica que não existem evidências suficientes para comprovar que o componente atende às especificações previstas para aquela aplicação.
4. Qual é a diferença entre procedência, conformidade e rastreabilidade?
A procedência está relacionada à origem e ao histórico de fornecimento. A conformidade indica se o componente atende aos requisitos técnicos, enquanto a rastreabilidade permite relacionar o componente aos registros existentes ao longo de sua cadeia.

