O ambiente industrial é dinâmico, complexo e direcionado a resultados.
A produtividade deve ser garantida sem comprometer a segurança e a qualidade dos produtos.
A manutenção dos equipamentos, por sua vez, assume um papel relevante ao permitir a continuidade operacional, o que contribui para o avanço da empresa no mercado competitivo.
É tudo tão ideal, não? Pois é… Mas, no cenário prático de muitas empresas, há um problema que impacta a qualidade da manutenção.
Estamos falando do uso de peças paralelas para reparos. Embora pareça uma ação economicamente viável, este ato pode trazer consequências severas não só ao desempenho do equipamento, mas pode também trazer consequências para a cobertura do seguro industrial.
Sim! A indenização do seguro industrial pode ser limitada ou negada pela seguradora em determinadas situações, e é sobre isso que vamos tratar neste texto.
Então, se você procura meios de fazer uma boa gestão de ativos, nos acompanhe neste texto para entender o porque isso acontece.
O que o seguro industrial considera na análise de um sinistro?
Assim como quando ocorre um evento com seu imóvel ou automóvel cobertos pelo seguro, na indústria, a seguradora também deve realizar uma análise técnica para identificar as causas, a intensidade dos danos e as circunstâncias que levaram ao evento.
Essa avaliação, envolve diversos fatores relacionados ao ativo, como equipamentos, instalações elétricas, sistemas hidráulicos, componentes mecânicos, dispositivos de segurança e processos de manutenção.
Além disso, um importante ato é analisar se o equipamento estava sendo bem cuidado, isto é, se estava sendo operado de maneira conforme e se estava sendo armazenado de acordo com as especificações do fabricantes e com as condições estabelecidas na apólice.
Neste caso, a identificação de um simples componente não original pode virar o jogo. Quero dizer, isso não significa que o sinistro será negado, mas levanta um fator determinante que relaciona este componente utilizado, as condições contratuais e o dano ocorrido.
Quando uma peça não original pode gerar problemas?
Vamos utilizar um exemplo simples para lhe ajudar a entender a questão.
- O sistema de transmissão de uma máquina sofreu uma falha. Durante a avaliação do sinistro, identificou-se que uma engrenagem havia sido substituída por um componente de procedência diferente da especificada pelo fabricante.
- Até então, isso não quer dizer nada. Mas… se a perícia por acaso concluir que a engrenagem contribuiu diretamente para a falha do equipamento, visto a sua incompatibilidade, a seguradora poderá questionar a cobertura.
- Isso ocorre, especialmente, se a apólice ou as condições de manutenção exigirem o cumprimento de determinadas especificações técnicas;
- Analogamente, sensores, componentes elétricos, válvulas, rolamentos, sistemas de frenagem ou dispositivos relacionados à segurança podem impactar da mesma forma, se inadequados;
O problema, então, é a peça ser de um outro fabricante?
Não necessariamente a peça ser de outra marca traz um problema ao contexto. Mas sim, se o componente atende aos requisitos técnicos e se sua utilização era permitida e se houve influência sobre o sinistro.
A importância das condições da apólice
Primeira dica para você, leitor: conheça as condições contratadas sempre antes de substituir componentes de máquinas seguradas.
Isso porque a apólice pode estabelecer obrigações relacionadas a manutenção, procedimentos de operação, conservação do equipamento e utilização de componentes segundo especificações impostas.
Cláusulas quanto à agravação de riscos também podem se fazer presentes, bem como alterações no equipamento que contribui para a ocorrência de danos. Isso tudo é muito importante para a análise do sinistro.
Qual o impacto da documentação
A documentação, neste contexto, é um diferencial, já que pode ser tão importante quanto o próprio componente instalado.
As documentações abrangem:
- Ordens de serviço;
- Notas fiscais;
- Certificados;
- Registros de manutenção;
- Laudos técnicos;
- Informações sobre a procedência das peças.
Do ponto de vista da empresa, é importante que ela sempre mantenha registros que comprovem especificações, compatibilidade e instalação correta de peças, mesmo que sejam peças alternativas.
Além disso, a manutenção realizada por um profissional qualificado faz toda diferença, ainda mais se documentada, uma vez que impacta diretamente na qualidade dos da forma de execução das ações e, portanto, da condição do ativo.
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Reforçando a importância da peça original
Peças originais não são necessariamente obrigatórias. É importante manter em mente que essas peças não vão invalidar a cobertura do seguro, mas isso desde que:
- Seja substituída por uma peça de empresa especializada e que atenda às especificações técnicas do equipamento.
Muitas vezes, o próprio fabricante pode admitir componentes equivalentes ou substitutos.
Mas, não se esqueça de que é importantíssimo verificar o que está imposto na documentação técnica do equipamento e nas condições da apólice.
Muitas dúvidas a respeito do que fazer?
Não pense duas vezes. Antes de uma alteração relevante, consulte previamente a seguradora ou o corretor para evitar discussões futuras.
Como reduzir riscos para a indústria?
- Siga, sempre, as recomendações técnicas de fabricantes. Essa primeira dica é um ato de responsabilidade quanto à conformidade imposta.
- Além disso, mantenha registros sempre completos, principalmente em manutenções, que devem ser feitas por profissionais qualificados.
- Conheça as condições e cláusulas da apólice antes de realizar alterações em equipamentos.
- Avalie tecnicamente peças alternativas antes da instalação.
- Digitalize notas fiscais e “jogue” na nuvem, bem como certificados e documentos de procedência dos componentes.
Conclusão
A redução de custos assume um papel fundamental no setor industrial, mas reduzir custos de manutenção pode gerar uma preocupação legítima.
Isso nos leva a lembrar que decisões aparentemente simples podem gerar impactos que superam orçamentos da manutenção. Utilizar componentes não originais pode desfavorecer a perspectiva técnica e contratual quando um sinistro ocorre.
Neste momento, não só o dano é importante a ser avaliado, como também as suas causas e as condições do equipamento.
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FAQ – Seguro industrial e peças não originais
1. O uso de uma peça não original pode fazer o seguro industrial negar um sinistro?
Pode influenciar a análise, mas não significa automaticamente que o sinistro será negado. É necessário avaliar a relação entre o componente utilizado, as condições previstas na apólice e as causas do dano.
2. Uma peça de outro fabricante pode ser utilizada em um equipamento segurado?
Sim, dependendo das condições da apólice e das especificações do equipamento. O ponto principal é verificar se o componente atende aos requisitos técnicos, se sua utilização é permitida e se ele é adequado à aplicação.
3. Quais documentos devem ser mantidos após a substituição de componentes?
Ordens de serviço, notas fiscais, certificados, registros de manutenção, laudos técnicos e informações sobre a procedência das peças ajudam a comprovar especificações, compatibilidade e instalação correta.
4. Como reduzir riscos relacionados ao seguro ao substituir peças industriais?
A empresa deve seguir as recomendações do fabricante, verificar as condições da apólice, avaliar tecnicamente componentes alternativos, manter registros completos e realizar a manutenção com profissionais qualificados.

