Falhas em máquinas podem ocorrer em qualquer instante, seja por falta de manutenção, anomalias (como pico de corrente) e outros esforços indesejados que reduzem a vida útil de componentes internos.
Quando isso acontece, a linha de produção é interrompida em poucos segundos, criando gargalo de produção e custos relacionados à máquina parada.
Neste momento, entram em cena os manutentores. Quando um elemento é danificado, basta substituí-lo para seguir o processo. Mas, em muitos casos, o problema se torna ainda maior quando não há disponibilidade da peça necessária para restabelecer a operação.
Com a crescente digitalização dos processos industriais, equipamentos que antes eram apenas diferenciais positivos para a empresa, tornaram-se fundamentais para a continuidade operacional.
Mas, o que fazer quando um desses equipamentos falha?
Nesse caso, devem ser considerados os seus longos prazos de entrega, dependência de importação e até mesmo que equipamentos muito antigos podem sair de linha ao longo do tempo.
Em outras palavras, queremos deixar claro que situações como essa são totalmente possíveis no dia a dia industrial.
E são essas as situações que requerem a gestão estratégica de peças críticas, a qual deixa de ser apenas uma atividade de almoxarifado e passa a ser uma ferramenta essencial para garantir a confiabilidade dos processos produtivos.
Neste artigo, veremos como identificar componentes críticos, definir níveis adequados de estoque e reduzir o risco de paradas causadas pela falta de peças de automação.
O que são peças críticas na automação industrial e como identificá-las?
A gestão de peças sobressalentes, chamadas também de “spare parts”, não deve ser somente eficiente, mas também efetiva.
A eficiência, neste caso, diz respeito ao uso inteligente de esforços financeiros, enquanto a efetividade diz respeito àqueles componentes que realmente geram impacto no âmbito fabril caso se ausentam.
Para identificar os componentes que realmente representam risco para a continuidade da operação, é preciso ter uma visão global do cenário industrial.
Note, por exemplo, que a planta industrial utiliza centenas ou até milhares de itens diferentes, mas apenas uma parcela deles têm potencial para causar interrupções significativas caso apresente falha.
E na automação industrial a preocupação deve ser exatamente essa! As peças críticas são as quais a indisponibilidade provoca paradas de produção, compromete a segurança operacional ou gera elevados custos, relacionados a:
- Horas ou dias de produção perdida;
- Atrasos em entregas;
- Horas extras de manutenção;
- Contratações emergenciais;
- Custos elevados de frete urgente;
- Perda de matéria-prima e retrabalho.
Portanto, isolando o contexto de peças críticas para sistemas de automação, dê atenção a:
- Inversores de frequência;
- CLPs;
- Módulos de expansão;
- Interfaces homem-máquina (IHMs);
- Sensores especiais;
- Fontes de alimentação industriais;
- Transmissores de processo;
- Cartões eletrônicos de controle.
Erros durante a identificação de componentes críticos
Um erro bem comum é dar relevância a componentes em função do seu valor financeiro.
Em diversos casos, peças mais simples e de valor relativamente mais baixo podem ser mais críticas que outros componentes de maior custo do equipamento.
Sensores, por exemplo, podem custar menos que outros componentes em equipamentos de alto custo, e ainda assim podem interromper completamente a linha automatizada caso não haja substituto disponível.
Identificando os componentes corretos
O estoque estratégico merece avaliação de três fatores principais.
- O primeiro é o impacto da falha na produção: levante os custos relacionados à parada do equipamento. Quanto maior o prejuízo causado pela parada, maior tende a ser a sua criticidade.
- Tempo de reposição: se o seu equipamento contém componentes importados ou com disponibilidade limitada no mercado, dê atenção a eles, pois podem demandar semanas ou meses para serem substituídos;
- Frequência de falhas: analise o histórico de manutenção para saber quais equipamentos apresentam maior desgaste ou incidência de problemas.
Utilize o método mais eficiente para realizar esse apontamento, sem descartar o histórico de manutenção e a análise de KPIs de manutenção.
Por exemplo:
- Indicadores com baixo MTBF (Tempo Médio Entre Falhas) apresentam maior probabilidade de falha;
- Equipamentos com elevado MTTR (Tempo Médio para Reparo) podem manter a produção parada por períodos prolongados caso não haja uma peça de reposição disponível.
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O que fazer para reduzir essa preocupação
Se tem duas dicas de grande impacto que podemos lhe prover, está na padronização de peças e parceria com fornecedores.
Pense comigo: quanto menor a diversidade de equipamentos nos sistemas de manutenção, maior a compatibilidade entre equipamentos e pertencimento à mesma família tecnológica — um spare part funciona em outros equipamentos.
Já os fornecedores parceiros garantem confiabilidade e podem contribuir de forma mais eficiente para a gestão do estoque, com prazos de entrega melhores informados, disponibilidade de produtos e obsolescência de equipamentos e alternativas de substituição.
Conclusão
Nota-se, portanto, que a gestão de estoque de peças críticas envolve mais do que o simples armazenamento de componentes em um almoxarifado.
É preciso executar uma estratégia que contribua para a disponibilidade dos equipamentos e a redução dos custos associados a paradas não planejadas.
O cenário atual da indústria está cada vez mais automatizado, e este fato exige investimento para garantir a disponibilidade de peças essenciais à produtividade e, consequentemente, à competitividade da operação.
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FAQ – Gestão de peças críticas na automação industrial
1. O que são peças críticas na automação industrial?
São componentes cuja indisponibilidade pode causar paradas de produção, comprometer a segurança operacional ou gerar elevados custos para a empresa.
2. Quais componentes costumam ser considerados críticos?
Inversores de frequência, CLPs, IHMs, módulos de expansão, sensores especiais, transmissores de processo e fontes de alimentação estão entre os itens mais críticos.
3. Como identificar quais peças devem fazer parte do estoque estratégico?
É importante avaliar o impacto da falha na produção, o tempo de reposição do componente e a frequência de falhas observada no histórico de manutenção.
4. Como reduzir o risco de paradas por falta de peças?
A padronização dos equipamentos e a parceria com fornecedores confiáveis ajudam a melhorar a disponibilidade dos componentes e a reduzir o tempo de reposição.


