Muitos processos industriais contam com linhas de vapor. Nessa parte do sistema, a energia térmica, o controle de temperatura e a transferência de calor são considerados fatores críticos para a operação.
Contudo, os impactos físicos causados pelas condições intensas de temperatura e pressão não devem ser os únicos fatores a serem considerados neste processo.
Para que ele seja seguro, é necessário também contar com componentes capazes de manter a estanqueidade e suportar condições máximas previstas em projeto.
E quais elementos ganham nossa atenção neste momento?
Válvulas, purgadores, juntas, flanges, conexões e elementos de vedação, por exemplo.
Esses elementos precisam ser adequados às condições de serviço em que serão submetidos.
É por causa deste contexto que são utilizados componentes originais ou devidamente homologados. Assim, você se livra de uma grande preocupação quanto a confiabilidade da instalação, a manutenção e, principalmente, a ocorrência de perdas associadas a vazamentos.
Que tal aprofundarmos um pouco mais neste assunto ao longo deste texto?
A influência de componentes adequados em linhas de vapor
Em processos industriais, o vapor é um grande acelerador de desgaste de componentes que não são especificados corretamente.
Isso se deve ao fato de que um fluido nessa condição conta com alta pressão e temperatura, oferecendo grande risco para linhas sujeitas a ciclos térmicos, vibrações, dilatação dos materiais, condensação, corrosão e erosão.
Veja como a válvula industrial é um bom exemplo: se ela for selecionada considerando apenas o diâmetro da tubulação, as consequências podem ser irreparáveis.
As condições de pressão e temperatura, além do tipo de fluido e regime de operação devem ser considerados para que haja operação estanque (sem vazamentos).
Analogamente, considera-se para juntas e conexões utilizadas no sistema.
Como componentes inadequados favorecem vazamentos?
Juntas inadequadas podem ressecar de forma acelerada ou ainda podem se romper se não forem adequadas às operações em linhas de vapor, as quais exercem grande temperatura e pressão sobre elementos em geral.
As válvulas, que são elementos de segurança e controle, também passam a exercer função contrária quando não são corretamente selecionadas: oferecem riscos por falta de estanqueidade, ao longo do tempo, nas linhas de vapor, em diferentes pontos do sistema.
Atenção extra
Há ocorrência do problema não estar especificamente no componente isolado, mas sim na sua incompatibilidade com outro elemento do sistema.
Um exemplo ocorre se, por acaso, os padrões de conexão não convergirem ou se os materiais não forem considerados em conjunto.
Para todos os casos, deve-se considerar homologar os produtos, em muitos casos mesmo com especificação técnica, identificação e documentação.
Assim, reduz-se a incerteza na substituição de componentes e evita-se que a manutenção corretiva má realizada seja o fator que introduz um novo problema no sistema.
Vazamento de vapor: perda de eficiência
Se uma linha de vapor não está estanque, hora ou outra ela virá a apresentar vazamentos. Isso não diz respeito apenas à integridade física do sistema, mas também a sua eficiência.
Se o vapor que é produzido pelo GV (gerador de vapor) escapa antes de cumprir sua função no processo, parte dessa energia deixa de ser aproveitada e maior deve ser a queima para suprir essa eficiência que provavelmente pode não ser alcançada.
O impacto desta ocorrência é acumulado, já que pequenas perdas ao longo do tempo (semanas, meses) significam energia desperdiçada e, consequentemente, desperdício de matéria-prima e processo ineficiente.
Além disso, o processo não estanque impacta também equipamentos consumidores que, por sua vez, desencadeiam instabilidade operacional.
Então, não preciso dizer muito mais para que você entenda que peças de procedência impactam na eficiência energética da indústria, não é?
Verifique isso antes de substituir um componente da linha de vapor
Veja o que você pode considerar antes de substituir um componente na linha de vapor:
- Pressão de operação: a capacidade de operação deve ser compatível com a pressão máxima do sistema;
- Temperatura: materiais metálicos e elementos de vedação precisam suportar a faixa de temperatura à qual estarão submetidos.
- Material: materiais devem ser compatíveis com o fluido, além de suportarem as condições de operação impostas;
- Dimensões e conexões: diâmetro, tipo de conexão, padrão de flange, rosca e demais características dimensionais devem ser compatíveis com a instalação.
- Aplicação: um componente desenvolvido para outro tipo de fluido ou condição operacional não deve ser tratado como equivalente apenas por apresentar dimensões semelhantes;
- Procedência: fabricante, código, identificação e origem devem ser verificáveis sempre que esses dados forem relevantes para a aplicação;
- Documentação: datasheets, desenhos, certificados e demais registros técnicos ajudam a comprovar as características do componente e facilitam futuras intervenções.
Manutenção e inspeção: não basta instalar o componente correto
É importante deixar claro algo que, muitas vezes, não é óbvio: se você utiliza um componente adequado, os riscos associados à instalação são menores e, por sua vez, a necessidade de manutenção no sistema é reduzida.
Ao utilizar uma peça de procedência, seu sistema suporta com mais facilidade os desgastes, ciclos térmicos, pressão, vibração e outras condições de serviço.
Desta maneira, torna-se possível seguir os protocolos de manutenção em períodos previstos, que podem ser ainda mais intensificados com técnicas como inspeção visual, termografia e detecção ultrassônica podem auxiliar na identificação de anomalias.
Purgadores de vapor
Decidimos considerar os purgadores de vapor nesta subseção do texto, justamente porque são componentes comuns nas linhas de vapor industriais e que, quando apresentam falhas, podem permitir a passagem indevida de vapor ou deixar de remover adequadamente o condensado.
Visto que isso prejudica o funcionamento da rede e contribui para o aumento das perdas do sistema, torna-se então um entre os componentes críticos para o cenário da linha de vapor.
Assim, a confiabilidade da linha depende de uma cadeia que envolve especificação, procedência, instalação, inspeção e manutenção.
Conclusão
As linhas de vapor dizem respeito a etapas de processos críticos em indústrias de diversos segmentos, visto as características que o fluido apresenta nesta etapa (alta pressão e temperatura).
Para que os equipamentos presentes neste processo sejam capazes de se manterem estanques e com boas performances mesmo em condições severas, é interessante escolher peças originais ou devidamente homologadas, principalmente na substituição de componentes.
A partir dessa ação, mesmo que simples, resulta na redução das incertezas quanto ao vazamento de vapor no sistema se iniciam na especificação, procedência e compatibilidade.

