Tipo de material, tolerância dimensional, tratamento superficial, especificação elétrica e capacidade mecânica.
Esses são apenas alguns dos diversos fatores que exercem influência direta sobre a confiabilidade dos equipamentos industriais, na continuidade da produção e no mais importante: na segurança.
Atualmente, muitas empresas buscam maneiras diferentes de reduzir seus custos, incluindo o de manutenção. Neste cenário, acabam importando peças mais baratas para a substituição daquelas já desgastadas.
E uma ação bem comum, realizada principalmente devido à redução de custos, é a importação desses elementos de outros países.
Contudo, isso pode ser mais prejudicial para o seu processo do que você imagina, em especial quando a importação ocorre de forma não autorizada e sem avaliação da procedência do artefato.
Pois bem, este é o foco deste texto. Aprenda, a partir de agora, qual a influência deste assunto com a rastreabilidade, especificação técnica, certificações e compatibilidade.
Como caracterizar uma peça de procedência não comprovada?
Vocês podem pensar, a princípio, que uma peça de procedência não comprovada é um termo utilizado para se referir a peças falsificadas. Contudo, esta conclusão está parcialmente equivocada.
Uma peça falsificada, é uma peça sem procedência comprovada. Mas, nem toda peça sem procedência comprovada é uma peça falsificada.
Não entendeu? Então vamos explicar.
Uma peça pode muito bem atender às suas necessidades industriais, mas a falta de informações para comprovar a sua origem e características técnicas já fazem com que ela seja considerada de procedência não comprovada.
“E como consigo defini-la desta forma?”
Bem, entre os principais sinais, destacamos:
- Identificação de fabricante ausente;
- Ausência de número de série ou lote;
- Documentação técnica incompleta;
- Inexistência de certificado de conformidade;
- Divergência entre código da peça e catálogo do fabricante;
- Embalagem sem identificação original;
- Ausência de histórico de fornecimento;
- Fornecedor sem autorização ou relacionamento comprovado com o fabricante.
Bem, esse problema com a rastreabilidade pode acontecer tanto com elementos menores, como peças de reposição, quanto com dispositivos já completos, tais como:
- Válvulas industriais;
- Sensores de temperatura;
- Transmissores de pressão;
- Inversores de frequência;
- Motores elétricos;
- Rolamentos;
- Atuadores pneumáticos;
- Componentes hidráulicos;
- Dispositivos de automação.
Por que a procedência interfere na confiabilidade do componente?
Componentes industriais são selecionados segundo condições de operação específicas.
Essas condições podem ser baseadas em variáveis como temperatura, pressão, vibração, corrente elétrica, tensão, velocidade, carga mecânica, frequência de acionamento e características do fluido.
Então, para que a pergunta acima seja respondida e facilmente compreendida, utilizaremos a válvula de controle como exemplo.
Ao ser instalada em uma linha de processo sem que haja avaliação da sua vazão permissível ou ainda do material de vedação ou corpo da válvula, seu sistema pode responder com perda de pressão, perda de vazão, contaminação e degradação acelerada devido à reação do fluido com os materiais.
Em outro exemplo, stepservos que não cumprem, na prática, o que é fornecido nos seus gráficos de velocidade e torque, irão “abrir” (falhar) durante a operação e interrompê-la.
São diversos os exemplos que poderíamos fornecer a você.
Rastreabilidade
Ao receber qualquer equipamento, dê atenção aos seguintes documentos:
- Nota fiscal;
- Certificado de origem;
- Certificado de conformidade;
- Certificado de material;
- Número de lote;
- Número de série;
- Documentação técnica.
A partir deles, forme um histórico e compare-o com os requisitos de engenharia para o processo.
Sendo a peça de reposição de natureza mecânica ou elétrica, não deixe passar detalhes que importam para o comportamento do seu processo industrial.
Elementos mecânicos costumam vir acompanhados de certificado de material utilizado, entre outras que tornam aquele componente ou dispositivo único.
Os elétricos e de automação, a documentação pode incluir características elétricas, normas aplicáveis e identificação do modelo.
Impactos na manutenção e na continuidade da produção
As operações industriais devem ter uma alta disponibilidade e utilização. É extremamente comum se deparar com máquinas que trabalham 24h por dia (3 turnos) e 26 dias por mês (1 dia destinado à manutenção por semana), por exemplo.
Uma peça importada sem procedência comprovada pode ser o motivo de tudo ruir e vir água abaixo. Como não há especificação comprovada, a variabilidade da manutenção tende a aumentar, e a produção, consequentemente, sofre com isso.
“Mas, se uma peça for devidamente homologada, qual a diferença observada?”
Neste caso, você contém todas as documentações necessárias para abrir uma investigação interna a respeito do lote, condição de operação e histórico de manutenção.
Mas, se a origem do componente é desconhecida, essa análise torna-se mais difícil e demorada.
O resultado pode aparecer na forma de:
- Aumento da frequência de falhas;
- Manutenção corretiva não planejada;
- Aumento do MTBF reduzido;
- Maior tempo de diagnóstico;
- indisponibilidade de equipamentos;
- Necessidade de novos reparos;
- Aumento do custo de manutenção;
- Risco de parada de produção.
Além disso, o TCO (Total Cost of Ownership), que envolve todos os custos totais relacionados a manutenção, paradas, mão de obra, perdas de produção e substituições prematuras, são maiores quando não há procedência comprovada.
Como reduzir o risco na aquisição de peças industriais?
Toda estratégia começa antes da compra, por meio do controle sobre os suprimentos e, mais tarde, se estende à manutenção.
Precisa seguir alguns passos para reduzir os riscos na sua empresa? Então veja só:
1. Valide o fabricante e o código do componente
Não compre algo de seu interesse sem verificar se o modelo existe no catálogo oficial e se suas características atendem a sua necessidade.
2. Conferir documentação e rastreabilidade
Antes de comprar, solicite certificados, número de lote, número de série e demais documentos aplicáveis.
3. Utilizar fornecedores homologados
Toda peça crítica deve ser homologada, a fim de reduzir o risco de aquisição de componentes cuja origem ou cadeia de fornecimento não possa ser comprovada.
4. Comparar especificações técnicas
Confronte com os requisitos do equipamento: as dimensões, materiais, pressão, temperatura, tensão, corrente, classe de precisão, capacidade de carga e demais parâmetros.
5. Avaliar a criticidade do componente
Seja mais criterioso ainda com peças associadas à segurança, controle de processo ou equipamentos críticos exigem critérios de aquisição mais rigorosos.
Exija requisitos da engenharia
Se determinado componente precisa passar por uma série de verificações quanto a sua capacidade de atender aos processos, exija da engenharia tudo aquilo que pode ou não ser permitido.
Este setor deve ser responsável por especificar as características que permitem que um componente se encaixe em determinada aplicação, sendo tecnicamente compatível, de procedência verificável e possa ser rastreado ao longo de sua vida útil.
Conclusão
Muitos profissionais responsáveis por reduzir custos de manutenção, arriscam a confiabilidade de operações industriais importando produtos que sequer fornecem certificados e documentos que comprovam as suas especificações.
Isso favorece a incerteza sobre a vida útil do componente e aumenta os riscos de parada de produção por indisponibilidade, o que consequentemente aumenta as intervenções de manutenção.
Para reduzir ou até mitigar todos esses riscos relacionados às peças de procedência não comprovada, basta adquirir peças industriais originais e de fornecedores homologados.


