Quanto custa uma hora de fábrica parada

Quanto custa uma hora de fábrica parada? O cálculo que todo gestor deveria conhecer

Na indústria, onde os gestores lutam para sobrepor outras empresas na competitividade de mercado, todos os parâmetros envolvidos importam e ganham viés produtivo.

O tempo, por exemplo, é convertido em produtividade. A produtividade é essencial para atingir metas e atender prazos. A produtividade, além disso, é resultado financeiro e cada minuto de operação tem seu valor.

Os recursos devem ser bem aproveitados, evitando desperdício, e a manutenção bem gerenciada dispara a indústria na competitividade.

No entanto, mesmo com toda essa complexidade e dinâmica, muitas empresas só percebem o real impacto de uma interrupção de produção quando ela acontece, seja por meio de uma falha inesperada em um motor, uma parada em um inversor de frequência ou até uma manutenção corretiva emergencial.

Por fim, você está todo cálculo a favor da produtividade ganha outro viés, em que o foco é  identificar quanto custa o tempo de uma hora parada na fábrica.

Apesar de parecer pessimismo, é super importante que você, como gestor, saiba calcular isso, principalmente para: justificar investimentos em manutenção preventiva, automação, redundância operacional e modernização de ativos industriais. 

E  então, que tal aprender como utilizar este cálculo como ferramenta estratégica para tomada de decisão?

O que representa o custo da hora parada?

Evidentemente, o custo da hora parada diz respeito ao valor financeiro associado ao tempo em que a planta industrial se torna operacionalmente indisponível.

Essa indisponibilidade, em casos práticos, ocorre por diversos motivos, como:

  • Falhas em equipamentos;
  • Problemas elétricos;
  • Interrupções de fornecimento;
  • Erros operacionais;
  • Paradas não programadas para manutenção;
  • Deficiências em sistemas de automação e controle.

Quando isso acontece, costumamos pensar que algo deixou de ser faturado por determinado momento. No entanto, o problema pode ir além, pois devem ser considerados custos fixos, perdas operacionais e até mesmo consequências comerciais e contratuais.

E então, como calcular esse prejuízo?

Os três pilares do cálculo

Para calcular corretamente o custo da hora parada, é necessário considerar três componentes principais.

1. Perda de produção

Pelo seu nome, sabemos que este é o fator mais direto.

Resumidamente, trata-se da quantidade que a operação deixou de produzir multiplicada pela margem de contribuição de cada unidade.

“O que é margem de contribuição unitária?”
A definição clara e direta dessa variável é:

Margem Cont. unit. = Preço de venda – Custos variáveis

Sendo que:

  • Preço de venda é por quanto você vende o produto;
  • Custos variáveis são aqueles que aumentam ou diminuem de acordo com a quantidade produzida, tais como:
    • Matéria-prima;
    • Insumos;
    • Embalagens;
    • Energia diretamente ligada ao processo (em alguns casos);
    • Comissões de venda;
    • Frete variável.

Veja este exemplo:

Uma linha produz 500 unidades por hora e cada unidade gera R$10 de margem.

A perda por hora vai ser, então, de R$5.000.

A lógica é simples: se a linha deixa de produzir, a empresa deixa de gerar receita, então este é o valor que deixou de existir naquele período.

2. Custos fixos mantidos durante a parada

Agora, vamos começar a focar em algo que ocorre por detrás dos bastidores: mesmo sem produção, a fábrica continua gerando despesas.

Em outras palavras:

  • Os funcionários continuam recebendo determinado valor por hora;
  • Os ativos continuam depreciando;
  • A energia contratada continua sendo gasta;
  • O valor da infraestrutura alugada continua correndo;
  • Os custos administrativos não param;
  • E os processos industriais anteriores a este continuam ocorrendo (sabemos onde possivelmente vai ter um gargalo, não?).

Esses custos precisam ser rateados pelas horas produtivas do período, e o cálculo para este caso, é:

Custo fixo por hora = Custos fixos mensais ÷ Horas produtivas mensais

Então, supondo que uma planta possui R$1.200.000 (apenas) em custos fixos mensais e opera 200 horas por mês, o custo fixo horário será de R$6.000.

Este é o valor que a operação continua consumindo, mesmo parada.

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3. Custos indiretos

Agora vem outro conceito importante, e este merece uma atenção especial, já que é algo negligenciado, e frequentemente o mais perigoso.

Para melhor compreensão de sua parte, os principais impactos indiretos são:

  • Atrasos de entrega;
  • Penalidades contratuais;
  • Refugo gerado na retomada;
  • Retrabalho;
  • Reprogramação da produção;
  • Sobrecarga operacional;
  • Perda de eficiência global da planta.

Estes custos nem sempre são fáceis de mensurar. É preciso fazer uma equação considerando diversas condições simultaneamente para cada caso. 

Em determinados momentos, é viável fazê-lo estrategicamente para incentivar investimentos (como substituição de soft starters e inversores de frequência) e projetos (como Kaizens), calcular savings de produção, entre outros.

Em muitos casos, esses custos podem representar de 10% a 30% do impacto total.

O erro de enxergar apenas o valor do reparo

E este é o ponto que retoma o que foi dito acima: é muito comum gestores questionarem o custo de um reparo, retrofit ou atualização tecnológica.

Mas a pergunta correta deveria ser: “Quanto custa não realizar esse investimento?”

Eles reclamam que um reparo ou investimento de R$20 mil pode parecer elevado.

Contudo, uma simples troca ou investimento tecnológico pode levar o sistema industrial a outro contexto, em que essa ação evite apenas duas horas de parada em uma operação cujo custo horário é de R$13 mil. Aqui, temos um retorno praticamente imediato.

Conclusão

Veja que há diversas situações em que calcular o custo da hora parada se torna uma prática indispensável, principalmente quando o assunto é gestão industrial orientada por eficiência.

Em suma, esse indicador possibilita enxergar com maior clareza o impacto financeiro da indisponibilidade operacional e executar decisões estratégicas baseadas em dados concretos.

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FAQ – Custo da hora parada na indústria

1. O que é o custo da hora parada?

É o impacto financeiro causado pelo tempo em que a operação industrial fica indisponível por falhas, manutenção ou interrupções não programadas.

2. Quais fatores devem ser considerados nesse cálculo?

Perda de produção, custos fixos mantidos durante a parada e custos indiretos, como atrasos e retrabalho.

3. Por que calcular o custo da hora parada é importante?


Porque ajuda a justificar investimentos em manutenção, automação, retrofit e melhorias operacionais com base em dados financeiros.

4. A automação industrial ajuda a reduzir paradas?

Sim. Sistemas automatizados aumentam o monitoramento, a previsibilidade e a confiabilidade operacional, reduzindo falhas e interrupções inesperadas.

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