Processos industriais geralmente contém sólidos ou fluidos sendo transportados de um lugar a outro para serem processados manualmente por pessoas ou automaticamente por máquinas. A condução de um lugar a outro pode ser realizada também de forma manual ou automática. A forma manual, como você imagina, pode ocorrer por esforços individuais ou conjuntos de pessoas, ou por paleteiras, por exemplo. Já a forma automática pode ocorrer por esteiras, fusos ou tubulações. Quando se trata desta última, o deslocamento normalmente acontece por meio de uma bomba, compressor, entre outro equipamento que possa conduzir a matéria por pressão.
No entanto, nem sempre o diâmetro da tubulação vai ser o mesmo que os das máquinas dispostas no sistema. Além disso, a escolha da redução ou aumento do diâmetro dos trechos da tubulação podem ser estrategicamente pensados. E alguns elementos podem ser utilizados para isso, como as flanges e, também, o elemento que ganha destaque neste texto: o niple de redução.
Mas, por que isso ocorre? E, o que considerar na escolha dos niples de redução? É isso o que veremos.
O que são niples de redução
Os niples de redução são itens comuns em sistemas fabris. Às vezes podem passar despercebidos pelos nossos olhos, já que pode ser encontrado em diferentes tamanhos. Em suma, eles são uns dos responsáveis na conexão entre diferentes trechos de tubulações, bem como na conexão desses mesmos trechos com dispositivos e máquinas.
Contudo, os niples de redução são elementos que, de fato, permitem redução ou expansão do diâmetro de um trecho (se utilizado ao contrário), e isso o diferencia daqueles elementos que tem a saída e entrada de mesmo diâmetro, chamados comumente de “luvas”. Eu sei, é difícil imaginar algo somente pela leitura, sem tê-lo visto. Mas, de modo geral, o niple de redução tem essa “cara” que está presente na imagem abaixo.

Então, imagine que à esquerda desse elemento há uma tubulação que vem da máquina 1, e logo após este elemento encontramos a máquina 2. O trecho da máquina 1 tem ¾ de polegada, enquanto a entrada da máquina 2 tem ½ polegada.
Se porventura houvesse uma máquina 3 com uma entrada de ¾”, o mesmo niple de redução poderia ser utilizado, porém virado (conexão ½” para ¾”). Desta forma, fica claro que o niple de redução possibilita a transição tanto de redução quanto de expansão de diâmetros.
O que considerar antes de investir em um niple de redução
Pode parecer bobo (após observado), mas a função deste elemento que embora seja tão simples, praticamente elimina a necessidade de comprar outras tubulações ou máquinas que tenham seus diâmetros coerentes uns com os outros.
Em outras palavras, a redução de custo e de mão de obra são benefícios obtidos ao utilizar niples de redução.
Além disso, o mesmo raciocínio pode ser utilizado quando há modificação de um sistema. Se uma máquina é substituída por um modelo mais novo, o niple de redução permite a redução da tubulação antiga à nova. Assim, tem-se interoperabilidade entre componentes antigos e novos.
Considerações técnicas
Será que informações de “ganhos” são suficientes para adquirir um niple? Bem, é claro que não. A indústria lida com uma diversidade de informações técnicas, e não podemos deixar de mencioná-las neste texto.
Onde será aplicado
É imprescindível considerar se o niple será utilizado em sistemas de baixa ou alta pressão. As características do fluido também devem ser consideradas. Por exemplo, ele é corrosivo ou limpo?
Ah, não se esqueça do ambiente. Muitas vezes damos atenção ao que vai passar por dentro dos niples, mas esquecemos das características externas. Então, o ambiente externo é úmido? Possui agentes químicos? Atenção a isso.
Essas respostas direcionam o investimento a niples de características diferentes, como roscas para fixação, materiais e tratamentos superficiais, tipo de vedação, entre outros.
Um niple deve suportar diferentes temperaturas (mínimas e máximas devem ser ditas), pressão de trabalho contínua e máxima (inclusive em golpes de Aríete) e ciclos de operação (frequência).
Compatibilidade com o sistema existente
Quando o assunto é compatibilidade, podemos pensar tanto na interação e a consequente reação entre fluido e material de confecção do niple quanto na compatibilidade geométrica. Neste caso, estamos falando de ambas opções.
Escolha um niple em que o material seja compatível até mesmo com o restante da linha, para evitar corrosão galvânica.
Considere o padrão de rosca (NPT, BSP, métrica).
Por fim, não se esqueça de considerar se o diâmetro reduzido, por exemplo, atende à vazão mínima exigida pelo processo, uma vez que o diâmetro influencia na pressão e vazão.
Conclusão
Todo cuidado é pouco quando se trata da aquisição de um niple de redução. Afinal de contas, este elemento está presente nos mais diversos processos industriais.
Caso as orientações mencionadas neste texto não sejam seguidas, a sua indústria pode sofrer com impactos ambientais ou segurança.
Veja quantos elementos diferentes são utilizados em indústrias farmacêuticas, alimentícias e químicas. O que aconteceria se por acaso um niple errado fosse posto em um processo, ocasionando em vazamentos e na contaminação do solo, linha de esgoto, inalação de operadores, entre outros? Isso deve ser evitado!
Portanto, considere o maior número de particularidades presentes no seu sistema industrial antes de investir em um elemento que, ainda que seja simples, impacta diretamente no seu processo e na reputação da sua empresa.


