Processos industriais são precisamente controlados e sofrem, frequentemente, melhorias que otimizam seus parâmetros para aumentar ganhos em geral.
No entanto, há um fato irrefutável: só é possível controlar e melhorar aquilo que é medido.
A temperatura, uma das variáveis mais conhecidas e monitoradas em processos em geral, deve ser medida com qualidade e confiabilidade. Isso se deve ao fato de que a sua presença impacta não só a qualidade do produto final, mas também na proteção de equipamentos e pessoas.
Muitos processos, portanto, requerem que a leitura dessa variável seja precisa.
O problema é que, muitas vezes, essa precisão e confiabilidade são associadas apenas às especificações técnicas de um sensor, sendo que há um outro fator determinante para uma bom monitoramento dessa variável: a procedência do dispositivo de medição.
Sim, um sensor original, que foi fornecido por um fabricante reconhecido, e que tem documentação adequada, se diferencia dos demais em vários aspectos.
Primeiramente, devido aos materiais empregados, mas também devido às características construtivas, calibração e rastreabilidade.
Por outro lado, componentes de origem duvidosa podem ser a causa raíz dos desvios de processos que, embora muitas vezes não sejam perceptíveis visualmente, podem comprometer a medição e a qualidade do seu processo industrial.
Saiba, neste texto, como a escolha certa pode alavancar a sua empresa, e que a redução de custos na aquisição de um produto como este não é a melhor decisão.
Por que a procedência influencia a precisão do sensor?
Primeiramente, vamos ao fato: características físicas e elétricas específicas transformam a variação térmica em sinal confiável para sensores de temperatura.
Dispositivos de medição de temperatura em geral, como termopares, RTDs, termistores e transmissores, são projetados com materiais específicos e possuem curvas características de medição, além de tolerâncias próprias.
Partindo de um contexto em que o componente é produzido sem as especificações originais, as mínimas diferenças que aparecem podem implicar erros de medição.
Um exemplo? O RTD (Detector de Temperatura por Resistência), caso apresente alterações na característica do elemento resistivo, vai gerar uma temperatura resultante inadequada.
Com o termopar pode ocorrer o mesmo, já que a composição inadequada dos condutores também influenciam a força eletromotriz gerada.
Desta forma, sensores podem até ser semelhantes se comparados visualmente, mas seus comportamentos podem ser distintos quando submetidos à mesma condição de operação.
Materiais e construção fazem diferença
O elemento responsável por fazer a medição não é o único fator que influencia na medida precisa. A bainha, cabos, isolação, conectores, terminais e demais componentes também têm parte no desempenho apresentado.
Isso se deve ao fato de que eles vão resistir a condições diversas de processos industriais, tais como:
- Temperaturas elevadas;
- Vibração e choques mecânicos;
- Umidade;
- Agentes químicos;
- Pressão;
- Ciclos térmicos;
- Interferências elétricas.
Neste contexto, um material sem as devidas propriedades poderia culminar numa degradação acelerada do sensor ou ainda alterar a sua resposta.
Calibração e rastreabilidade
A calibração também ganha destaque neste viés, já que a medição precisa estar associada a referências confiáveis.
Com a calibração, é possível identificar desvios indesejáveis para a operação.
Para que você tenha ideia da criticidade disso, certas aplicações exigem até mesmo certificados e registros de calibração, que podem ganhar relevância em auditorias.
O risco dos sensores de origem duvidosa
Qual seria o risco de ter um sensor com origem duvidosa?
Bem, já que componentes não originais podem apresentar problemas que vão além de precisão, e visto a importância de sensores de temperatura em controle e segurança de processos, tem-se que os riscos são:materiais diferentes dos especificados;
- Tolerâncias fora dos limites;
- Ausência ou inconsistência de calibração;
- Documentação técnica incompleta;
- Alterações construtivas não declaradas;
- Dificuldade de rastrear lote e fabricante;
- Menor estabilidade ao longo do tempo;
- Incompatibilidade com o instrumento de leitura.
E a automação?
Na automação, utilizar um sensor de procedência assume papel essencial, e por outro lado, pode ser um grande problema para os processos subsequentes e outros dispositivos dependentes.
Um sensor com má procedência pode fornecer sinal aparentemente normal enquanto apresenta um desvio gradual.
O controlador, CLP ou sistema supervisório pode entender este sinal como condição real de processo, e daí vem diversas decisões incorretas.
Entenda a diferença entre precisão e exatidão
Ao avaliar sensores de temperatura, também é importante diferenciar alguns conceitos importantes, como a precisão e a exatidão.
A precisão é a capacidade de obter resultados consistentes em medições repetidas.
A exatidão, por sua vez, diz respeito à proximidade entre o valor medido e o valor de referência.
Como verificar a procedência de um sensor?
A procedência de um sensor tem tudo a ver com a sua rastreabilidade, se podemos assim dizer.
Veja:
- Fabricante e modelo: por meio dessa informação, pode-se identificar se o produto em questão corresponde ao seu modelo de catálogo;
- Número de série ou lote: essas informações relacionam o componente à sua origem, além de registros de fabricação importantes;
- Documentação técnica: o famoso datasheet e certificados apresentam a compatibilidade com o modelo adquirido;
- Especificações: o dispositivo original apresenta a faixa de temperatura de operação, além da classe de tolerância, tipo de elemento, material, conexão e demais parâmetros relevantes;
- Certificado de calibração: produtos como sensor de temperatura exibem a validade da documentação de calibração e sua rastreabilidade.
Procedência, qualidade e confiabilidade industrial
A responsabilidade no contexto industrial exige que a aquisição de um sensor não seja baseada somente pelo preço unitário.
Lembre-se que este componente faz parte de uma cadeira maior e assume papel fundamental na decisão de controle de sistemas manuais e automatizados.
Desta forma, uma informação incorreta pode gerar perdas de qualidade, paradas, retrabalho ou decisões inadequadas de processo.
Um sensor original e de procedência, neste contexto, reduz ou remove um ponto de preocupação do sistema, além de contribuir para reduzir essas incertezas porque oferece maior controle sobre suas características construtivas, especificações e documentação.


