Há algum tempo, a manutenção era uma tarefa direcionada à correção de ativos.
Pessoas eram contratadas e treinadas para lidar com problemas que pudessem parar a linha de produção de forma imediata, de forma que o impacto fosse o menor possível para a demanda de produção.
Atualmente, a manutenção ganha um viés mais estratégico, sendo objeto de estudo para evitar, por manutenção preventiva ou preditiva, que os problemas sequer surjam e a linha pare.
No entanto, há circunstâncias que não foram resolvidas ou ainda geram dúvidas. Por exemplo, na prática, como lidar com o orçamento disponível? Além disso, como atrelar isso à mão de obra disponível e tempo suficiente para realizar intervenções em todos os equipamentos?
Bem, uma palavra define este cenário: prioridade.
É por isso que, neste artigo, você entenderá como realizar uma análise acerca da criticidade dos equipamentos.
Se você não sabe quais critérios considerar nesta avaliação, ou se ainda sabe classificar, mas não imagina como isso pode orientar a sua decisão, permaneça neste texto para saber como priorizar os investimentos em manutenção, contribuindo para uma gestão de ativos mais eficiente.
O que é a criticidade de um equipamento e como ela é definida
Muitas pessoas associam a criticidade de um equipamento ao seu preço, mas essa suposição nem sempre é verdadeira.
Veja: um componente de R$3000,00 pode parar uma linha produtiva inteira caso não haja redundância. Já um elemento eletrônico que custou R$10.000,00 pode não ser tão crítico quanto, simplesmente porque possui elementos internos que o protegem de adversidades que possam surgir.
A criticidade de um equipamento, portanto, representa o impacto que sua indisponibilidade ou falha pode causar para a operação.
Isso exige um modo estruturado para identificar aqueles ativos que merecem atenção no plano de manutenção e que, por sua vez, demandam recursos financeiros, mão de obra e tempo em prioridade.
Quais fatores considerar
Vemos, portanto, que precisamos analisar o cenário além do valor do ativo. Assim, entre os diversos fatores a serem considerados, os principais questionamentos e considerações das indústrias são:
- Impacto sobre a produção, quão impactante vai ser sobre a produtividade? Vai formar gargalos e tempo de parada?
- Quais riscos este elemento (ou a falta dele) oferece à segurança dos operadores e da instalação?;
- Quais os possíveis impactos ambientais decorrentes de vazamentos, emissões ou descarte inadequado de produtos?;
- Há influência na qualidade do produto final e na conformidade dos processos?;
- Sobre o financeiro: quanto vai custar a parada, quanto haverá de perda de produção, manutenção emergencial e qual o máximo de horas improdutivas?;
- Considere o histórico de falhas e frequência das intervenções corretivas;
- Qual o tempo necessário para aquisição de peças de reposição?;
- Existem equipamentos redundantes capazes de assumir a operação?.
Por meio desses critérios, as indústrias fazem a famosa matriz de criticidade, a qual cruza a probabilidade de falha com a severidade de suas consequências.
Se você deseja realizar essa análise de outra forma, atribua pontos para cada critério, gerando um índice índice que permita classificar os ativos em níveis de criticidade, como baixa, média e alta.
Como transformar a criticidade em investimentos mais inteligentes em manutenção
Após identificar os equipamentos críticos, chega a hora de saber onde investir.
O ideal seria investir em todos os equipamentos, não é mesmo? Mas você também entende que nem todas as máquinas exigem o mesmo nível de monitoramento, ou que nem toda falha justifique adoção de tecnologias avançadas para evitá-las ou consertá-las.
Algumas dicas para o investimento
Ativos de alta criticidade
Identifique aqueles equipamentos com alta criticidade e aplique, por exemplo, a manutenção preditiva para acompanhar, de forma contínua, a condição dos ativos e identificar sinais de degradação antes que a falha ocorra.
Neste cenário, você vai implementar, estrategicamente, sensores responsáveis pelo monitoramento de variáveis como vibração, temperatura, pressão, vazão e consumo de energia, já que influenciam na previsão da saúde do equipamento ao comparar as variáveis momentâneas às suas condições ideais.
“Gostei da ideia, mas teria outra forma de fazê-lo?”
A resposta é: sim!
Há diversos equipamentos industriais que já incorporam recursos que fornecem informações acerca do estado de operação.
Um deles é o inversor de frequência Danfoss, que você encontra no nosso site. Por meio dele, você pode monitorar corrente, torque, temperatura, sobrecarga e condições elétricas do motor.
Outro investimento que vale a pena quando o assunto é análise de criticidade, é a utilização de válvulas e atuadores inteligentes e instrumentos com comunicação digital.
Desta maneira, você ganha uma visibilidade mais ampla sobre o processo, com diagnósticos realizados de forma remota e com maior tempo de resposta para localizar falhas, especialmente em plantas de grande porte.
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Ativos de média e baixa criticidade
Nota-se que, quanto maior a criticidade, maiores os esforços a serem feitos para que a sua planta industrial não seja prejudicada.
Assim, não faz sentido exercer o mesmo esforço para criticidades de nível médio e alto.
Ativos de média criticidade, portanto, podem permanecer em programas preventivos periódicos.
Já aqueles equipamentos de baixo impacto operacional, cuja falha não compromete significativamente a produção, podem adequar-se à estratégia corretiva planejada, conhecida como “run-to-failure“.
Esta última, é claro, deve ser feita com uma decisão tecnicamente fundamentada.
Além de tecnologias embarcadas
Considere armazenar históricos de falhas, controlar indicadores de desempenho, programar intervenções e atualizar continuamente a classificação dos ativos.
A criticidade, desta maneira, deixa de ser uma avaliação estática e passa a acompanhar a evolução da planta de forma dinâmica.
Conclusão
Veja o quão importante é, para transformar a manutenção em atividade estratégica, a correta definição da criticidade dos equipamentos.
Quando você compreende quais ativos impactam, verdadeiramente, a produção, segurança, qualidade e custos operacionais, você consegue direcionar seus investimentos e esforços de forma assertiva.
Neste contexto, reduz-se os desperdícios e aumenta a confiabilidade de processos, que é tudo o que você deseja.
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FAQ – Criticidade de equipamentos
1. O que é a criticidade de um equipamento?
A criticidade representa o impacto que a falha ou indisponibilidade de um ativo pode causar na produção, segurança, qualidade, meio ambiente e custos da operação.
2. Quais fatores devem ser considerados na análise de criticidade?
Devem ser avaliados o impacto na produção, riscos à segurança, consequências ambientais, custos de parada, histórico de falhas, tempo de reposição e existência de equipamentos redundantes.
3. Como a criticidade ajuda a priorizar investimentos em manutenção?
A classificação permite direcionar recursos, mão de obra e tecnologias de monitoramento para os ativos que apresentam maior impacto sobre a operação.
4. Qual estratégia de manutenção utilizar para ativos de baixa criticidade?
Ativos de baixo impacto operacional podem ser direcionados para uma estratégia corretiva planejada, como o run-to-failure, desde que a decisão seja tecnicamente fundamentada.


