Vamos supor que você tem uma fábrica de pequeno porte, com poucos funcionários e uma estrutura pequena. Uma fábrica onde a maior parte dos colaboradores fazem parte da sua família e os clientes provém da mesma cidade onde está instalada a sua empresa.
Em casos como esse, é muito comum vermos o próprio dono tomando conta das questões gerenciais, seja pela sua experiência ou formação.
Outra coisa bem comum neste caso é que esse gestor tenha uma certa clareza sobre a carga de produção (quantidade de produtos a serem entregues) e a matéria-prima necessária para a fabricação dos lotes.
Até aí tudo bem, não é mesmo? Muitas empresas rodam relativamente bem desta forma.
Agora, vamos extrapolar o exemplo para a situação de uma empresa de médio a grande porte, que pode existir em uma ou diversas cidades.
Aqui, você é o gestor dessa indústria, a qual tem mais colaboradores, atuando em diferentes áreas, estando eles trabalhando em unidades presentes em cidades distintas ou não.
Neste cenário, a responsabilidade é outra. A carga de produção é muito maior e você não pode deixar que apenas a sua experiência e feeling norteiem a compra de matéria-prima e ajustem a capacidade de produção.
Além disso, as matérias-primas, presentes em grande quantidade, devem passar por processos complexos até se tornarem produto final.
Tudo deve seguir uma cronologia para que o lead time esteja coerente com o tempo de entrega do produto, até mesmo para as demandas de exportação — que se não forem respeitadas, implicam em multas.
E aí, como controlar tantas variáveis em meio a tanto caos? Trello, MS Project e planilhas de excel podem não ser suficientes ou podem não estar tão bem amarradas umas às outras a ponto de se tornarem à prova de erros.
Pois bem, dentre as maneiras de controlar este cenário, destaca-se o MRP, um software muito importante para o cotidiano de indústrias, tornando-se mais útil quanto maior a complexidade e a dimensão da indústria.
Se você ainda não conhece esse software e nem sabe nada sobre o seu funcionamento e a sua importância, mas quer entender melhor, acompanhe-me nesta leitura.
O que é MRP
A sigla MRP, vem do inglês e significa Manufacturing Resource Planning, que em português é Planejamento de recursos de Produção.
Trata-se de um software cuja função é realizar cálculos relacionados aos insumos de um processo de produção.
Em outras palavras, ele é responsável por não apenas controlar os estoques de matérias primas, presentes na indústria, como também indica a necessidade de comprar cada um deles, conforme haja necessidade.
O MRP permite que todo o fluxo produtivo se mantenha perfeitamente alinhado, de modo que não ocorram eventuais problemas com a falta de um determinado insumo.
Quer garantir que o seu planejamento de produção esteja alinhado com equipamentos industriais confiáveis e de alta performance?
Como funciona o MRP
A complexidade do MRP está muito mais relacionada com a sua concepção e do que com a sua utilização. Afinal, estamos falando de um software que irá executar todos os cálculos de maneira automatizada.
Desta forma, o que importa aqui é que os dados, que forem repassados ao software, sejam precisos, para que as informações fornecidas pelo MRP sejam também precisas.
Nesse sentido, vão existir 3 informações básicas e extremamente relevantes para os cálculos. São elas: a demanda, a lista de materiais (conhecida como BOM ou Bill of Materials) e o estoque.
A demanda
O cliente entra em contato com a empresa e, a partir de um contrato, cria-se uma Ordem de Cliente, chamada de “OC”, que é distinta das demais pelo seu código único.
Nessa OC, você encontra a necessidade do cliente, que pode conter diferentes produtos da sua indústria, os quais ganham também seus respectivos códigos, chamados de Ordem de Produção ou “OP”.
A partir daqui, temos a nossa primeira informação relevante para o MRP: a demanda!
A demanda se refere a quantidade de produtos que será vendida e suas previsões também, é claro.
Lista de Materiais
A lista de materiais (BOM) inclui todos os insumos necessários para a produção de cada produto.
Sabe aquela lista enviada à produção para a etapa de montagem, em indústrias que produzem máquinas, equipamentos, entre outros?
Então, é indispensável que cada um daqueles itens estejam na área de assembly parts para que o produto final não deixe a empresa incompleto.
Além disso, o MRP faz com que os materiais estejam no momento certo e na etapa certa para serem utilizados.
Estoque
Por fim, temos o estoque. Este parâmetro de entrada para o software vai mudar de acordo com a maneira em que ele foi configurado.
O porquê? Simples.
O estoque pode incluir tanto os produtos que vão ser vendidos e que por ventura devem ser produzidos a mais para atender determinada demanda quanto os insumos que são necessários para produzir esses produtos.
Por isso, o estoque do MRP inclui:
- Matérias-primas;
- Componentes;
- Peças compradas;
- Subconjuntos;
- Itens intermediários de fabricação.
A partir dessas informações, o software efetua os seus cálculos e consegue fornecer informações importantes como ordens de produção e compra de matéria prima.
Para este cálculo, o MRP considera:
- O que falta;
- Quanto falta;
- Quando comprar ou produzir
Com ele, é possível, inclusive, definir índices de estoque de segurança e pontos de reposição de cada material. O que é excelente para lidar com possíveis imprevistos e que possam vir a interromper o fluxo produtivo.
Vantagens no uso do MRP
Aplicar o MRP em uma indústria, independente do seu tamanho, pode trazer grandes vantagens e benefícios para ela. Sendo algumas dessas vantagens:
- Precisão na hora de fazer compras: uma vez que os cálculos das necessidades de insumos são bastante precisos e evitam que haja excesso nas compras;
- Redução dos níveis de estoque: Afinal de contas, deixa-se de produzir a mais do que deveria. Na gestão de materiais, produtos e insumos parados em estoque, sem utilidade, são considerados como desperdício de armazenamento
- Identificação de possíveis gargalos: a análise de carga de produção e capacidade de produção entrega o gargalo (limitante da sua produção);
- Aumento considerável na capacidade de atendimento;
- Redução de custos;
- Diminuição dos atrasos: não respeitar o lead time do produto implica em multa. O lead time se inicia quando ocorre a venda do produto e é finalizado quando o mesmo é entregue;
- Controle e gerenciamento de recursos e estoque.
Com isso em mente, não restam dúvidas que o uso do MRP pode contribuir, significativamente, para o cotidiano de empresas. Uma vez que traz consigo diversas vantagens que vão além do controle e gestão de estoques e materiais.
Contribuindo para outras áreas como a de manutenção, contabilidade, compras e mais.
O que faz do MRP uma excelente solução para quem precisa lidar com esse tipo de problema.
Deseja integrar planejamento inteligente com equipamentos industriais robustos?
FAQ – MRP na Gestão Industrial
1. O MRP substitui totalmente planilhas e controles manuais?
Na maioria dos casos, sim. Ele centraliza dados e automatiza cálculos que seriam suscetíveis a erros quando feitos manualmente.
2. O MRP é indicado apenas para grandes indústrias?
Não. Embora seja mais comum em médias e grandes empresas, indústrias menores também podem se beneficiar do planejamento estruturado.
3. O MRP ajuda a reduzir desperdícios?
Sim. Ele evita compras excessivas, produção desnecessária e reduz estoque parado.
4. O MRP impacta diretamente o lead time?
Sim. Ao organizar compras, produção e reposição de materiais, ele contribui para o cumprimento dos prazos de entrega e redução de atrasos.


