Operações industriais, em um cenário teórico, deveriam operar ininterruptamente, maximizando os lucros.
No entanto, o cenário real é diferente. As peças sofrem pequenos desgaste ao longo do tempo, até que chega a hora de serem substituídas.
Acontece que a parada de operações industriais nem sempre é planejada. Às vezes, ocorre por meio de falha repentina, e isso representa mais do que a simples troca de um componente.
A parada de uma bomba, de um motor, de uma válvula ou de um sistema de acionamento pode interromper uma etapa inteira do processo, gerar perdas de produção e aumentar os custos de manutenção.
E o pior: todo esse alvoroço pode ocorrer mais facilmente se a peça que substitui a original, não tiver procedência.
É neste contexto que você se depara com indicadores de confiabilidade, como o MTBF (Mean Time Between Failures ou Tempo Médio Entre Falhas) cada vez mais baixo, sendo influenciado por algo difícil de ser rastreado.
E é justamente sobre isso que o texto de hoje aborda: fatores que impactam o MTBF e, em especial, a influência de peças sem procedência nessa métrica industrial.
O que é MTBF e como ele é calculado?
O MTBF, como foi dito, é o tempo médio entre reparos, e representa o tempo médio de operação de um equipamento entre uma falha e outra.
É uma métrica bastante utilizada em sistemas reparáveis e se encaixa no contexto de acompanhamento de confiabilidade da máquina, sendo extremamente útil para identificar tendências de deterioração.
Para calculá-lo, utiliza-se a fórmula básica:
MTBF = Tempo total de operação ÷ Número de falhas
Então, se um compressor de um sistema de refrigeração industrial operou por 2.000 horas e apresentou 4 falhas nesse período:
MTBF = 2.000 ÷ 4 = 500 horas
Veja que isso representa uma média.
MTBF e MTTR: confiabilidade e velocidade de recuperação
O MTBF é muito importante, mas não pode ser analisado isoladamente. Mesmo que o equipamento apresente uma boa média de horas de operação no MTBF, pode ser que cada intervenção demande muitas horas de serviço.
E aí surge outra métrica: o MTTR. Então, enquanto o MTBF está relacionado à frequência das falhas, o MTTR representa o tempo médio necessário para reparar o equipamento e devolvê-lo à operação.
Onde a procedência das peças entra nessa ideia?
O preço de aquisição diz muito sobre a procedência. Infelizmente, é comum que profissionais responsáveis pelo custo de manutenção prefiram peças valores menores para reduzir os gastos relacionados.
Mas, na manutenção industrial, é preciso enxergar além. Faz-se necessário considerar aspectos técnicos e documentos que validam a aplicação do componente para determinada aplicação.
Veja que um componente de menor valor pode (ou não) estar associado a um componente de menor confiabilidade, a qual é comprovada pela sua procedência.
Mas, tudo é avaliado segundo as especificações técnicas, material utilizado, processo de fabricação, tolerâncias dimensionais, tratamento superficial, rastreabilidade, certificação e compatibilidade com o equipamento original.
Exemplo
Você precisa substituir uma válvula industrial e, neste cenário, você encontra em um marketplace uma válvula bem parecida.
A pressão de operação, temperatura, modo de acionamento e corpo da válvula estão na descrição, e atendem aos requisitos do seu processo.
Você a recebe, instala, e percebe vazamentos e falhas em poucas semanas após a substituição.
A válvula trava e o elemento de vedação precisa ser substituído com frequência.
Você lê o manual entregue junto da válvula e percebe que não há certificações ou informações que permitam o seu rastreio.
Bom, este é um exemplo recorrente e que custa caro. Será necessário substituir a válvula novamente, e enquanto isso seu processo ficará parado.
E acho que nem preciso dizer quais as consequências disso.
Mas, vale a pena concluir: o componente de procedência inadequada muito provavelmente vai apresentar falha prematura.
Relação com o MTBF
O histórico de manutenção declara a ocorrência associada à válvula, mas e qual o seu impacto no MTBF e em outras métricas?
Primeiramente, lembremos que o MTBF é o número de horas em operação dividido pela quantidade de falhas. Se a frequência da falha aumenta, o MTBF diminui.
No entanto, precisamos enxergar além dele e não, não estamos falando apenas do MTTR, mas sim de uma relação formada pelo MTTR e o MTBF.
A partir daí, surge o conceito de Disponibilidade de máquina, representado pela seguinte equação:
Disponibilidade ≈ MTBF ÷ (MTBF + MTTR)
Se uma máquina está indisponível devido à manutenção, ela está inoperável, e então não gera lucro.
Se no cenário anterior ela apresentava:
MTBF = 500 horas;
MTTR = 10 horas.
A disponibilidade aproximada era de:
500 ÷ (500 + 10) = 98,04%
Mas, se após a substituição com o componente sem procedência o MTBF tenha ido para 300 horas, mesmo com o MTTR permanecendo em 10 horas, tem-se:
300 ÷ (300 + 10) = 96,77%
Embora a diferença pareça ser irrelevante, projete-a ocorrendo durante o ano todo.
E agora, são horas paradas em quantidade significativa, não é mesmo?.
Conclusão
Optar por peças de menor custo para redução de custos de manutenção pode ser uma decisão um tanto quanto arriscada, já que você pode estar lidando com peças sem procedência.
Peças sem procedência impactam negativamente na continuidade da produção (disponibilidade de máquina) e colaboram para o aumento de intervenções de manutenção, reduzindo o MTBF e podendo até mesmo aumentar o MTTR.
Diante disso, é de suma importância que sejam analisados os documentos, certificados e especificações técnicas de peças antes de adquirí-la. Para lhe ajudar com isso, temos um texto especial para você. Basta clicar aqui para ser direcionado a ele.


