Papel e celulose: riscos de usar peças genéricas na operação contínua

Papel e celulose: por que peças genéricas não suportam a operação contínua

A indústria de papel e celulose está entre aquelas que operam por longos períodos e em regime praticamente contínuo, já que isso impacta diretamente a produtividade, custos e a qualidade da operação.

Além disso, muitos dos seus processos são característicos de condições críticas.

Isso exige componentes e equipamentos capazes de suportar altas variações de pressões e temperaturas, atmosferas com umidade, grandes esforços mecânicos, entre outras variáveis em grande intensidade.

Desta forma, os olhos são voltados às bombas, motores, transportadores, refinadores, sistemas de preparação de massa, máquinas de papel, conjuntos de acionamento, entre outros equipamentos que funcionam em longos e repetitivos ciclos. 

O objetivo é fazer com que esses apetrechos industriais não falhem, já que uma pequena falha pode desencadear outras falhas prematuras de outros componentes.

E para isso, é necessário atentar-se à seleção dos componentes que compõem os equipamentos do sistema, sendo ainda mais crítico como a reposição das peças deve ser feita e o que deve ser considerado para essa tarefa.

É neste contexto que pedimos a sua atenção a este texto, o qual aborda a relevância e o impacto de peças genéricas na saúde da sua operação industrial.

O que diferencia uma peça industrial especificada para o processo?

Muitos profissionais cometem o engano de comparar dois elementos diferentes considerando apenas as suas características físicas externas e tomam decisões a partir disso.

No entanto, aplicações industriais exigem componentes que, embora pareçam iguais, possuem detalhes que tornam seus comportamentos completamente distintos durante a operação.

Em outras palavras, aspectos como material, tratamento térmico, tolerâncias dimensionais, acabamento superficial, resistência mecânica e resistência à corrosão são alguns elementos não óbvios que podem influenciar no desempenho e vida útil de componentes.

Quando falamos sobre a indústria de papel e celulose, a qual opera em condições críticas de temperatura e pressão, por exemplo, cada característica de um componente a ser utilizado ou substituído deve ser repensada.

Caso um componente seja instalado em uma área de elevada umidade, por exemplo, serão solicitadas características de proteção contra corrosão que se distinguem de uma peça que vai exercer a mesma função, mas em um ambiente seco.

Em outro contexto — ou até mesmo neste cenário acima descrito —, esforços como a carga, rotação, temperatura, frequência de ciclos e vibração também são determinantes quanto ao tipo de componente que deve ser utilizado.

Portanto, a substituição de um componente deve considerar características técnicas, que muitas vezes vem acompanhadas por códigos distintos, mas nunca se deixe levar pela aparência.

Principais riscos relacionados a peças genéricas para a operação

Quando falamos de peças “genéricas”, devemos considerar diversas situações. 

Se uma peça é fabricada por um fornecedor alternativo, ela é genérica?

A resposta é: não! Afinal de contas, essa peça pode ter sido produzida de acordo com as especificações técnicas comprovadas, além de não necessariamente apresentar problema para a operação.

Então, se antes da substituição do componente você define que a peça possui as características equivalentes para aquela aplicação, está tudo bem.

Mas, do contrário, a sua operação industrial pode apresentar riscos, e um deles é o desgaste prematuro. Isso ocorre porque materiais ou tratamentos impróprios reduzem a resistência do componente aos ciclos mecânicos, à abrasão ou à corrosão presentes no processo.

Outro possível erro está nas tolerâncias dimensionais. Embora estejamos falando de folgas pequenas, o resultado pode ser o desalinhamento, o que pode provocar vibração, aquecimento e tensões alternadas combinadas em eixos rotativos.

A resistência à temperatura também merece destaque, já que quando se utiliza componentes próximos a fontes de calor em processos críticos, como o da indústria de papel e celulose, as propriedades do componente devem se manter dentro da faixa de operação prevista.

Portanto, atente-se à equivalência técnica de componentes, a fim de obter controle sobre sua procedência.

Entenda a verdade sobre o custo de substituição

Comparar componentes por preço de aquisição também é um erro recorrente em operações contínuas.

Isso se deve ao fato de que o custo oferece uma visão incompleta da perspectiva global da operação, já que peças de custos inferiores são interessantes no momento da compra, mas apresentam desempenho inferior ao longo do ciclo de vida.

Quer um exemplo?

Vamos pegar a bomba. Um componente que exerce função ímpar na indústria de papel e celulose, seja para a secagem do papel, para a circulação de fluido, entre outras operações.

Um componente de má procedência dessa bomba apresenta uma falha antecipada.

Os custos vão além daquele de aquisição de uma nova peça, já que é necessário contabilizar mão de obra de manutenção, inspeção, horas de equipamento indisponível e eventual perda de produção.

Além disso, essa primeira falha, a depender da posição da bomba no processo, pode provocar efeitos secundários em outros componentes da linha.

Assim, observa-se que aquele problema que inicialmente estava restrito a uma peça, já ganha maior espaço e compromete outros componentes do conjunto.

A intervenção (manutenção corretiva), agora, deve ser mais extensa. Mais custosa. O MTTR (Mean Time to Repair) deve ser maior. A disponibilidade é menor.

É nesse contexto que o conceito de TCO (Total Cost of Ownership) ganha relevância. Agora, você retorna a sua atenção a algo que foi dito logo há pouco: não se avalia somente o preço de compra, mas também custos associados à utilização do componente durante seu ciclo de vida.

Considere este mapa mental para a sua próxima decisão:

Conclusão

De maneira bem breve, este texto apresenta por diversas formas que, na indústria de papel e celulose, a decisão da substituição deve considerar não só o custo de compra de uma peça, mas também o custo de mantê-la funcionando de forma confiável, obedecendo às condições previstas.

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