As operações industriais são compreendidas, na grande parte das vezes, pela sua qualidade, disponibilidade, utilização e, por fim, produtividade. Mas, esses fatores são insuficientes para compreender o que move uma empresa de responsabilidade.
A verdade é que a segurança, saúde ocupacional e proteção ambiental estão diretamente relacionadas à forma em que processos, máquinas e pessoas interagem.
Este contexto traz um conceito fundamental para a gestão industrial: o EHS (Environment, Health and Safety), que significa “Meio Ambiente, Saúde e Segurança”.
O EHS reúne práticas destinadas à identificação de riscos, prevenção de acidentes, proteção de trabalhadores e redução de impactos ambientais.
Neste texto, vamos abordar sobre o que é o EHS, como funciona e por qual motivo esse setor é fundamental na indústria.
O que significa EHS na indústria?
A sigla EHS diz respeito a três áreas fundamentais na indústria. São elas:
- Environment (Meio Ambiente): dimensão que controla impactos ambientais, resíduos, emissões, efluentes, consumo de recursos e atendimento a requisitos ambientais;
- Health (Saúde): dimensão que previne o trabalhador das doenças ocupacionais, exposição a agentes físicos, químicos e biológicos, ergonomia e promoção da saúde dos trabalhadores;
- Safety (Segurança): por último, a dimensão que identifica e controla perigos capazes de provocar acidentes, lesões e danos às instalações.
Muitas vezes, esses fatores são gerenciados por equipes distintas. Mas, em grandes indústrias, as três dimensões mencionadas são direcionadas a uma só área, visto que possuem uma característica em comum: atuam sobre os riscos presentes nas operações industriais.
Por que EHS é importante para as operações industriais?
Acreditem: o EHS é uma das áreas mais importantes da indústria — se não a mais importante.
O motivo é simples: grandes empresas ordenam a segurança como o fator mais importante entre os demais, sendo até mais importante do que a qualidade e produtividade.
E entendemos a sua importância ao compreender ao que ela é destinada: segurança, saúde e meio ambiente.
Caso algum desses seja comprometido, o impacto pode ultrapassar os demais imediatamente visíveis.
Peguemos um exemplo de um acidente. Quando ocorre, pode provocar afastamentos, danos a equipamentos, interrupções da produção, investigações e custos adicionais.
Ainda neste contexto, um processo inadequadamente controlado gera exposição ocupacional, além de contribuir para o descarte incorreto de resíduos ou vazamentos que comprometam instalações, o meio ambiente e o mais importante: a saúde dos trabalhadores.
Financeiramente falando, quaisquer desses deslizes podem culminar em processos e multas que podem chegar até milhões de reais, dependendo da gravidade.
Assim, a gestão de EHS na indústria atua de forma preventiva, em especial. Em outras palavras, os agentes dessa área não esperam que um acidente aconteça para tomarem providências, mas sim analisam as causas, identificam perigos e avaliam riscos, de forma que possam estabelecer controles antes que o problema se materialize.
Como integrar EHS aos processos industriais?
O EHS não deve ser uma responsabilidade isolada, mas deve fazer parte da cultura da empresa.
1. Identificação de perigos e avaliação de riscos
Onde há máquinas, instalações, produtos químicos, movimentação de cargas, trabalhos em altura, instalações elétricas e atividades de manutenção, entre outros… pode também haver riscos.
Então, mesmo que haja um departamento especializado, é de grande importância que todos os trabalhadores se desenvolvam quanto à identificação sistemática desses perigos.
Ferramentas como APR (Análise Preliminar de Riscos), FMEA, análise de perigos, inspeções de segurança e avaliação ergonômica contribuem para adquirir uma visão global e estruturada dos riscos.
2. Engenharia e segurança desde o projeto
A segurança deve ser considerada desde a fase de projeto e engenharia.
As máquinas devem ser especificadas segundo NR12 e NR10, contendo proteções físicas, sistemas de intertravamento e redundância, parada de emergência, acessibilidade para manutenção e requisitos ergonômicos.
3. Procedimentos, treinamento e padronização
Não foque o treinamento em segurança somente àqueles colaboradores que pertencem à CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio), mas faça com que todos os trabalhadores tenham condições de parar um trabalho que ofereça risco.
Neste contexto, trazemos um conceito relacionado de grande relevância: o Stop Work.
Além disso, dedique-se a estruturar bem os procedimentos operacionais, como instruções de trabalho, além de oferecer treinamentos e investir em sinalização.
Documentos devem ser atualizados com frequência e não podem ser genéricos, pois isso pode favorecer à execução incorreta de atividades.
4. Manutenção e integridade dos equipamentos
A manutenção também é monitorada pelo EHS, já que possui papel relevante na prevenção de acidentes.
Imagine como a falta de manutenção em dispositivos de proteção, sensores, sistemas de parada, painéis elétricos, válvulas, estruturas e demais componentes críticos resultam em maiores números de acidentes.
5. EHS também envolve meio ambiente
A dimensão ambiental envolve o consumo de água e energia (racionalização e qualidade), geração de resíduos, emissões atmosféricas, efluentes industriais, armazenamento de produtos químicos e possíveis vazamentos.
Tudo isso é muito importante para que as operações não prejudiquem a integridade física do trabalhador ou o meio ambiente.
É neste contexto que as indústrias aproveitam para criar métricas para acompanhar o controle de riscos neste viés e, também, para identificar oportunidades de redução de desperdícios e impactos.
Indicadores e auditorias apresentam o desempenho da área
Falando um pouco mais sobre como essa área pode controlar a integração da segurança na indústria, trazemos alguns indicadores que facilitam a gestão de EHS.
Lembre-se que dados devem ser armazenados para que se tornem informações valiosas para decisões diversas.
Os indicadores utilizados pelo EHS abrangem taxas de acidentes e afastamentos, número de incidentes, inspeções realizadas, ações corretivas pendentes, treinamentos, desvios identificados, concerns abertos, Stop Work registrados e indicadores ambientais.
Além disso, é extremamente impactante realizar auditorias de EHS para que sejam verificados se procedimentos, controles e requisitos estabelecidos estão efetivamente sendo cumpridos.
Conclusão: o EHS deve ser parte da cultura industrial
É importante deixar claro que a integração de EHS deve ocorrer de forma natural na empresa, e para que isso ocorra, é preciso que o ambiente e seus colaboradores “tenham no sangue” essa cultura.
Todas as áreas devem considerar o impacto da segurança, saúde e meio ambiente em todas as suas atividades, sem exceção.
Desta maneira, o EHS torna-se parte do planejamento e vira rotina operacional. Assim, a prevenção deixa de ser uma atividade isolada da área de EHS e se transforma em um elemento da própria gestão industrial.


