Chillers industriais: como funcionam, principais tipos e como escolher o ideal

Chillers industriais: tipos, funcionamento e como escolher o ideal para sua planta

O controle de temperatura é algo primordial para alcançar a fase final de um produto, mantendo a sua qualidade e prezando a proteção dos equipamentos.

Os chillers industriais, neste cenário, ganham destaque devido a sua função de remover calor de máquinas, fluidos e processos produtivos.

E sua atuação está presente em setores como plástico, alimentos, farmacêutico, químico e metalúrgico, contribuindo para as condições térmicas que devem seguir limites pré-estabelecidos para o sucesso da operação.

Contudo, selecionar um chiller pode ser mais criterioso do que se imagina. Esses equipamentos contam com diferentes tecnologias e configurações. A escolha entre um ou outro vai depender de fatores como carga térmica, temperatura de trabalho, consumo de energia e condições de instalação.

Como funciona um chiller industrial?

O chiller é, em resumo, um resfriador. Ele é um equipamento que visa transferir o calor de um fluido, que geralmente é água ou uma mistura de água com glicol, para outro meio, como o ar ambiente ou a água de uma torre de resfriamento.

Em suma, o fluido em menor temperatura (resfriado) circula o sistema que deve ter a temperatura controlada, absorve calor deste sistema, e então volta para o sistema de resfriamento novamente.

Os chillers são compostos pelos mesmos componentes principais de sistemas de refrigeração por compressão de vapor:

  • Evaporador: aqui, o refrigerante absorve calor do fluido que precisa ser resfriado.
  • Compressor: responsável por elevar a pressão e a temperatura do refrigerante, permitindo a continuidade do ciclo.
  • Condensador: transfere o calor para o ar ou para a água de resfriamento, fazendo o refrigerante condensar.
  • Válvula de expansão: reduz a pressão do refrigerante e controla sua entrada no evaporador.

Além dos componentes descritos, há outros que são imprescindíveis para o funcionamento e controle de temperatura do chiller, tais como sensores de temperatura e pressão, controladores eletrônicos, bombas e válvulas.

Em sistemas maiores, até mesmo inversor de frequência pode ser utilizado para controlar mais precisamente o compressor e bombas, resultando também no consumo de energia quando a demanda térmica diminui.

Quais são os principais tipos de chillers industriais?

Em suma, a classificação dos chillers explica como eles rejeitam calor.

Chiller resfriado a ar

Comecemos pelo chiller resfriado a ar, o qual o seu condensador utiliza o ar ambiente para dissipar o calor, por meio de ventilação mecânica forçada (ventiladores).

Esse chiller é conhecido pela sua simplicidade, o que inclusive é a sua maior vantagem. Isso faz da sua instalação ser simples, já que não é necessário uma torre de resfriamento nem um circuito de água dedicado ao condensador.

Contudo, seu desempenho pode não ser o melhor, já que depende das condições ambientais.

Exemplo: locais muito quentes fazem com que a eficiência seja reduzida e, portanto, o consuma mais energia para atender à mesma carga térmica.

Então, combinando os fatos de que o chiller resfriado a ar se trata de um equipamento mais simples e que pode ser menos eficiente, torna-se uma alternativa utilizá-lo em plantas de pequeno e médio porte, bem como em instalações com espaço mais restrito.

Chiller resfriado a água

No chiller resfriado a água, o condensador transfere calor para a água, que geralmente circula até uma torre de resfriamento para dissipá-lo ao ambiente.

Ao contrário do chiller resfriado a ar, o chiller resfriado a água apresenta boa eficiência, e por isso é utilizado em instalações de maior porte.

Contudo, toda sua precisão e eficiência faz com que esse sistema exige infraestrutura hidráulica, tratamento e controle da qualidade da água, os quais podem ser associados a maiores cuidados (R$) na manutenção.

Chiller de compressão de vapor

Essa é uma das tecnologias mais utilizadas na refrigeração industrial. Seu sistema utiliza o compressor para mover o refrigerante pelo circuito e o resfriamento é mais controlado e mais eficiente, além de grande capacidade frigorífica.

Chiller de absorção

O chiller de absorção, por sua vez, utiliza combinações de fluidos (como água e brometo de lítio ou amônia e água) para promover o ciclo de refrigeração, diferente do chiller de compressão de vapor que utiliza um compressor para esse trabalho.

Quando a planta dispõe de calor residual, vapor ou outra fonte térmica, esse chiller pode ser viável.

Escolhendo o chiller ideal para sua planta

Como diferentes chillers apresentam diferentes características, considerá-las se torna fundamental para uma operação contínua.

Na prática, avaliar as condições reais do processo, a infraestrutura disponível e a capacidade frigorífica resume tudo o que vamos falar a partir de agora.

Mas, vamos entender tudo isso passo a passo.

1. Determine a carga térmica

A carga térmica é, basicamente, o calor que deve ser removido do processo. Se no seu ambiente, você tem motores, máquinas de injeção plástica, reatores, trocadores de calor, equipamentos de corte ou outras fontes, considere-as.

Caso queira fazer uma estimativa inicial para o resfriamento de um fluido, utilize a fórmula:

Q = ṁ × Cp × ΔT

Em que Q é a carga térmica, ṁ é a vazão mássica do fluido, Cp é o calor específico e ΔT é a diferença entre as temperaturas de entrada e saída.

O resultado “sairá” em watts, desde que as unidades sejam compatíveis. O dimensionamento definitivo também deve considerar cargas variáveis, perdas térmicas e condições de pico, evitando tanto a falta de capacidade quanto o superdimensionamento.

2. Verifique as temperaturas de operação

A temperatura de operação é importante devido ao fato de que, quanto menor a temperatura desejada em relação às condições ambientais, maior pode ser o esforço energético do sistema.

Isso, inclusive, também traz uma perspectiva da importância de avaliar a temperatura de retorno, que deve ser considerada junto da vazão necessária e a possibilidade de utilizar água com glicol, especialmente em aplicações que exigem temperaturas próximas ou inferiores a 0 °C.

Então, a temperatura de operação indica indiretamente qual chiller utilizar, considerando os limites operacionais de cada um.

3. Compare o consumo energético

O consumo energético é um parâmetro de interesse da gestão de empresas em geral. Esse consumo não depende somente da potência nominal do equipamento, mas também das condições de carga, temperatura ambiente e funcionamento dos componentes auxiliares.

Chillers que utilizam inversores de frequência em bombas e ventiladores podem oferecer bons resultados, assim como aqueles com compressores de capacidade variável.

4. Avalie a infraestrutura disponível

O espaço físico para a instalação é um fator que deve ser somado aos demais, já que pode ser um empecilho e tanto não haver disponibilidade de água ou ainda se não houver disponibilidade de construção de torre de resfriamento.

5. Manutenção e continuidade operacional

Falhas no sistema de refrigeração do chiller podem provocar perda de qualidade, redução de produtividade e interrupção da linha de produção.

Para evitar um ocorrido como este, é preciso dar atenção a componentes em geral, como filtros, trocadores de calor, bombas, válvulas, sensores e componentes elétricos.

Além disso, para qualquer problema mais sério que necessite de intervenção corretiva,  é necessário que haja disponibilidade de peças para substituição.

Conclusão

Em chillers industriais, a capacidade térmica, condições ambientais, custos de instalação, confiabilidade operacional e requisitos de processo devem ser considerados em conjunto, assim como a sua eficiência, a qual começa no dimensionamento.

Uma vez considerados, o equipamento dimensionado atende às necessidades do processo sem consumir energia desnecessariamente ou operar constantemente próximo do limite.

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