valvula gaveta

Guia técnico de válvulas gaveta: seleção, instalação e operação

Responsáveis pelo controle sobre fluidos líquidos, gasosos e às vezes meios com sólido em suspensão que percorrem desde pequenos tubos (capilares) até grandes dutos de processo, as válvulas são especificadas de acordo com a sua função, geometria construtiva, princípio de operação, materiais e condições de serviço.

Consciente dessa diversidade de critérios, a escolha de uma válvula não pode ser resumida a uma opção qualquer de catálogo.

Cada tipo de válvula foi projetada para atender diferentes regimes de vazão, pressão, temperatura, agressividade química, nível de vedação, etc.

Uma seleção inadequada de uma válvula pode implicar em perdas de cargas excessivas, cavitações, desgastes prematuros, vazamentos e falhas operacionais.

Neste contexto, fizemos este guia prático dedicado às válvulas gaveta, ensinando-lhe como selecioná-la e instalá-la corretamente, além de discorrer sobre seus limites operacionais.

O que é uma válvula gaveta e como ela funciona

Primeiramente, vamos entender o que é uma válvula gaveta?

Essa válvula é um dispositivo de bloqueio linear. Seu obturador, que tem formato parecido com de uma lâmina, e ganha o nome de “gaveta”, se desloca linearmente, mas de forma perpendicular ao sentido do fluxo.

Quando a gaveta está elevada (erguida), o fluido ganha permissão para passar pela válvula sem obstáculos significativos. Mas, quando a gaveta desce e se apoia nas sedes, são como escoras ou apoios para a gaveta, ocorre a interrupção da passagem de fluido.

Principais componentes

E quando o assunto for mais técnico, o que fazer? 

Não se preocupe, também te ajudamos com isso. Se você precisa conhecer os principais componentes da válvula para agir segundo uma estratégia de spare parts, por exemplo, nós te mostramos quais são eles.

Para visualizar melhor quais são as principais partes de uma válvula gaveta, veja os itens abaixo e os identifique na imagem posterior.

  • Corpo: estrutura que suporta a pressão do sistema;
  • Tampa (bonnet): parte superior, que permite acesso aos internos;
  • Gaveta (wedge): elemento que realiza o bloqueio;
  • Haste: conecta o volante ou atuador à gaveta;
  • Gaxetas e prensa-gaxeta: vedam a passagem do fluido ao longo da haste.
  • Volante ou atuador: dispositivo de acionamento manual (volante) ou automático (atuador).

Critérios técnicos de seleção

Agora que você já conhece a válvula gaveta e suas partes principais, é hora de saber como escolhê-la corretamente, de forma que não ocorra vazamentos, deformação da gaveta e falhas de vedação.

  1. DN (diâmetro nominal)

O diâmetro nominal é, talvez, o parâmetro mais óbvio (ou pelo menos mais aparente).

O diâmetro da válvula deve ser coerente ao diâmetro da rosca da tubulação que a recebe.

  1. Classe de pressão (PN ou ANSI)

A classe de pressão diz respeito à aplicação e às condições da mesma. De acordo com a pressão escolhida, a gaveta e outros componentes da válvula serão mais ou menos robustos em suas dimensões, mas sempre suficientes para determinada pressão.

  1. Temperatura de operação

A temperatura de operação também é um fator importante, vide a influência desse parâmetro na:

  • Dilatação e contração dos componentes internos da válvula;
  • Capacidade de seus componentes suportarem essa temperatura;
  • Características do fluido (um óleo em maior temperatura torna-se mais viscoso, por exemplo);
  • Entre outros.

3. Material do corpo e da gaveta

Abrange tanto alguns aspectos descritos acima quanto o fator de compatibilidade de material (entre componentes da válvula e fluido);

  1. Tipo de fluido e sua corrosividade

Os materiais que compõem a válvula podem exigir especificidades neste caso.

  1. Frequência de manobra

A frequência de manobra, termo que se refere à quantidade de vezes em que essa válvula se abre e fecha, influencia diretamente no nível de esforço mecânico e o consequente desgaste em haste, gaxetas, atuador, etc.

Isso faz total diferença para escolher, também, se a válvula vai ser manual ou vai contar com um atuador (elétrico, pneumático, hidráulico, dependendo da válvula e sua aplicação).

Uma válvula gaveta, por exemplo, foi projetada para baixa frequência de manobra. Usá-la em um sistema que abre e fecha dezenas de vezes por hora causará:

  • Desgaste prematuro da rosca da haste
  • Deformação da gaveta
  • Vazamentos crônicos
  1. Normas técnicas (API, ASME, DIN, ISO)

Seguir as normas e seus padrões é importante para escolher a válvula correta.

  1. Tipo de rosca

Conexões como essa exigem roscas que se diferem daquelas que vemos em parafusos e barras roscadas.

Você deverá optar entre roscas NPT, BSPT, BSPP, etc. 

Operação

Diferentemente das válvulas globo ou de controle, a válvula gaveta não foi projetada para operar em posições intermediárias.

É exatamente por este motivo que no início deste texto a descrevemos como uma válvula de bloqueio linear, e não de controle de fluxo modular.

Em outras palavras, essa válvula deve operar plenamente aberta ou plenamente fechada, sem meio termo.

Do contrário, se essa válvula for posta para operar em regime parcialmente aberto, poderá ocorrer turbulência, vibração, erosão da sede e cavitação, reduzindo e muito sua vida útil.

Conclusão

Respeitando os limites construtivos da válvula gaveta e utilizando-a exclusivamente como dispositivo de bloqueio, é possível garantir maior vida útil, menor índice de falhas e maior segurança operacional.

Em aplicações em que não se tolera indisponibilidade e vazamentos, a válvula gaveta deixa de ser uma escolha técnica e passa a ser uma decisão estratégica, se aplicada corretamente.

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