Manutenções preventivas industriais determinam um período em que peças que sofrem desgaste devem ser substituídas no sistema.
Essas substituições geram custos, que não só estão associadas ao preço de compra da peça, mas também à mão de obra, produção parada, entre outros fatores.
Neste contexto, é primordial dar relevância ao fator “procedência da peça”, já que influencia diretamente na confiabilidade do equipamento.
E neste cenário, aparecem peças de diferentes procedências, como as originais, remanufaturadas e as recondicionadas.
Todas elas são aparentemente semelhantes, mas atenção: é justamente aqui que mora o perigo!
Essas condições da peça representam processos diferentes e, desta forma, geram impactos distintos sobre a manutenção, disponibilidade e segurança operacional.
E como evitar isso? Bem, o primeiro passo é entender quando uma peça remanufaturada pode ser utilizada. Então, vamos diferenciar esses conceitos!
Peça original, remanufaturada e recondicionada: qual a diferença?
Peça original
O conceito sobre a peça original é mais facilmente compreendida: é fornecida pelo fabricante do equipamento ou por um fornecedor homologado, a fim de atender as especificações impostas pelo seu projeto.
Para isso, as peças originais devem ter tolerâncias dimensionais, materiais, tratamento superficial, capacidade mecânica e requisitos de desempenho conhecidos.
Vamos entender por meio de um exemplo.
Exemplo: procedência em inversor de frequência
Uma empresa contata a Nepin sobre a necessidade de um inversor de frequência que:
- Especialmente projetado para impedir o Golpe de Ariete de seu sistema hidráulico;
- Tenha algoritmo de controle que proporcione eficiência energética maximizada;
- Apresenta redução de interferência eletromagnética e distorção de harmônicos;
- A tensão de alimentação e faixa de potência deve atender a especificação: 380 – 480 V – 7,5 – 37 kW.
A Nepin, sendo um fornecedor credenciado, vê no seu portfólio de produtos que o Conversor de Frequência VLT® AQUA Drive FC 202 Danfoss atende aos requisitos, sendo este um dispositivo de procedência.
Peça remanufaturada
A peça remanufaturada, por sua vez, passou por um processo de recuperação.
Operações como a desmontagem, inspeção, limpeza e substituição de elementos desgastados por novos ou recuperados, possivelmente ocorrem na peça remanufaturada.
O lado bom: ela é submetida a testes para validar se ela, mesmo com essas operações, atende aos requisitos (especificações) definidos para a aplicação.
Peça recondicionada
Por fim, temos a peça recondicionada. Essa peça vai sofrer intervenções mais simples, tais como limpeza, ajustes e substituição de alguns componentes.
Então, aqui não temos um processo completo de remanufatura.
A peça remanufaturada tem o mesmo desempenho da original?
A peça remanufaturada, passando por diferentes etapas de “recuperação”, deixa uma dúvida: ela oferece o mesmo desempenho que uma peça original?
Bem, vejamos um motor elétrico. Ele pode ser desmontado, sofrer inspeção em seus rolamentos, ter seu isolamento analisado, e ainda sofrer recuperação ou substituição de componentes elétricos, os quais serão testados.
Já em uma válvula de controle, a recuperação pode envolver componentes internos, vedação, atuador e testes de estanqueidade e funcionamento.
Veja que, em ambos os exemplos, a peça remanufaturada apresenta etapas completas de substituição e validação para a sua possível aplicação no processo.
Mas, mesmo que essas premissas sejam atendidas, é preciso considerar algumas coisas antes de comprar uma peça remanufaturada. Em especial, damos relevância à procedência.
O que deve ser verificado antes da compra?
1. Procedência
Um dispositivo sofreu diversas substituições de peças, mas há algo importante quanto a remanufatura que deve ser considerado: quem a realizou ? Quais componentes foram substituídos? O processo segue algum procedimento técnico definido?
Essas perguntas devem ter respostas, principalmente quando estamos falando de componentes críticos, em que a rastreabilidade ganha um peso dobrado.
Por isso, nunca deixe de obter informações acerca do número de série, lote, fabricante e registros de inspeção que servirão de ajuda na identificação do histórico da peça, principalmente em caso de falha.
2. Especificações técnicas
Preciso comprar uma peça para substituir a minha original. O que devo considerar?
É claro que as especificações técnicas devem ser as primeiras consideradas.
Uma válvula industrial deve ser adquirida somente após consideradas características como pressão, temperatura, material, tipo de conexão e fluido de processo.
Isso nos traz, inclusive, um ponto de atenção: não se iluda com peças fisicamente compatíveis, pois é um erro extremamente comum assumir que elas atendem aos requisitos de processo.
3. Testes e inspeções
A remanufatura pode ser confiável desde que as inspeções realizadas validem que a peça recuperada atenda aos requisitos especificados.
Dependendo do dispositivo, podem ser realizados testes elétricos, dimensionais, funcionais, de estanqueidade, isolamento, vibração ou desempenho.
No entanto, o teste precisa ser coerente com a aplicação da peça. Um componente rotativo, por exemplo, não se torna suficientemente aplicável se apenas uma simples inspeção visual for realizada para identificar seus mecanismos de falha.
4. Garantia e documentação
A documentação técnica é primordial para garantir confiabilidade operacional.
Isso se dá ao fato de que certificados, relatórios de inspeção, registros de testes e condições de garantia permitem comparar o componente remanufaturado com os requisitos da aplicação.
Quando uma peça remanufaturada pode ser uma alternativa?
Em uma linha de produção, por exemplo, recuperar um componente de um sistema de acionamento, motor, bomba, válvula ou painel elétrico pode ser uma alternativa quando a substituição completa apresenta prazo de entrega elevado.
Mas o custo de aquisição não deve ser analisado isoladamente.
Uma peça mais barata pode deixar de ser vantajosa se apresentar maior probabilidade de falha, exigir novas intervenções de manutenção ou provocar uma parada não planejada.
Conclusão: Original ou remanufaturada: o que considerar?
Por fim, vamos analisar essa dúvida:
- A peça remanufaturada pode ser interessante, mas desde que se tenha um processo estruturado de recuperação. E, como você já sabe, um processo estruturado diz respeito àquele que permite a peça atender aos requisitos técnicos da aplicação.
- Outro caso em que a remanufatura é cogitada, é quando há equipamentos antigos ainda em operação e que utilizam peças que já não são fabricadas regularmente, tornando a remanufatura uma alternativa para prolongar a vida útil do sistema.
- Não existe uma resposta baseada apenas na classificação da peça. O mais importante é verificar a procedência, especificação, criticidade, processo de recuperação, testes, documentação e histórico de desempenho.
- A remanufatura é, também, aceitável (se devidamente realizada e testada) para processos de baixa criticidade. Mas, se o seu processo for crítico, como em dispositivos de segurança, equipamentos de alta pressão ou componentes em que a falha pode interromper toda uma linha, os critérios de homologação e rastreabilidade tendem a ser mais rigorosos, invalidando muitas vezes o uso de remanufaturadas.


