Nas grandes indústrias, a segurança é um fator que precede até mesmo a qualidade e a entrega dos produtos, vide a ordem das siglas SQDCI, em que a Segurança (S) antecede a Qualidade (Quality), Entrega (Delivery), Custos (Cost) e Inventário (Inventory).
Essa prioridade não foi criada sem embasamento. Ela existe porque acidentes e falhas de segurança podem prejudicar não só a integridade dos colaboradores, mas também a disponibilidade dos equipamentos, a produtividade e a própria continuidade das operações.
Afinal de contas, a indústria busca controlar riscos associados a processos internos da planta, mas existem aqueles fatores externos que também merecem atenção especial.
A descarga atmosférica é um bom exemplo para este cenário. Como prever que isso pode ocorrer?
É impossível. E por isso é um grande desafio para instalações industriais, especialmente aquelas com grandes estruturas metálicas, equipamentos eletrônicos sensíveis e sistema de automação integrados.
Então, para evitar danos a painéis, CLPs, inversores de frequência, sistemas de instrumentação, redes de comunicação e até mesmo incêndios e explosões, deve-se recorrer a artifícios contra esses eventos.
E não, embora o pára-raio tenha sua função neste cenário, ele não é suficiente. É preciso olhar para um conjunto de medidas que inclui um sistema de proteção robusto contra descargas atmosféricas (SPDA).
Mas, como fazê-lo? Qual a sua função e por que a especificação deve ser corretamente realizada? Entenda tudo isso neste artigo.
O que é o SPDA?
O SPDA é uma sigla comum no âmbito industrial, e que significa “Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas”.
A sua função não é impedir a ocorrência de raios ou “atraí-los”, mas sim interceptar uma descarga que atinja a estrutura e conduzir sua corrente até o solo de forma segura.
Do que é composto o SPDA?
Para cumprir a função acima descrita, o SPDA exige diferentes elementos que trabalham de forma integrada. Agora, vamos conhecer os principais:
- Captores (para-raios)
Como foi dito, o pára-raio tem a sua função no SPDA. Eles são artifícios conhecidos por nós. Os vemos instalados nos pontos mais elevados da edificação a fim de interceptar a descarga atmosférica quando ela atinge a estrutura protegida.
Embora haja diferentes tipos de captadores, todos eles têm o mesmo objetivo, que é de receber a corrente do raio e direcioná-la ao restante do sistema de proteção.
- Condutores de descida
A carga foi interceptada pelo para-raio, então chega a hora da corrente elétrica ser conduzida até o solo. Os condutores de descida desempenham essa tarefa.
Mas, de que são feitos?
Resposta: Normalmente, por cabos ou fitas metálicas instalados ao longo da estrutura da edificação.
E não são cabos ou fitas quaisquer. Os condutores devem apresentar baixa impedância e seguir trajetos que minimizem curvas acentuadas.
Assim, há redução da possibilidade de centelhamentos e o surgimento de tensões perigosas durante a passagem da corrente do raio.
- Sistema de aterramento
O aterramento é o responsável por dissipar a corrente na terra da forma mais segura possível.
A sua estrutura envolve hastes, cabos, anéis ou malhas de aterramento, que serão dimensionados conforme as características da instalação e do solo.
Se o aterramento for eficiente, a diferença de potencial é reduzida, fazendo com que a energia de descarga seja dispersa sem comprometer a integridade da estrutura e dos equipamentos.
- Equipotencialização
Repare nas tubulações, estruturas metálicas, eletrocalhas, barramentos, entre outros. Eles provavelmente estão eletricamente interligados para que ocorra a equipotencialização.
Durante uma descarga elétrica, essa equipotencialização minimiza as diferenças de potencial entre esses elementos.
Dessa forma, reduz-se o risco de centelhamentos, arcos elétricos e correntes indesejadas que poderiam causar danos aos equipamentos ou colocar pessoas em situação de perigo.
Em suma, o conjunto formado por captores, condutores de descida, aterramento e equipotencialização formam um sistema integrado de proteção.
Quando corretamente projetado, instalado e mantido, o SPDA aumenta significativamente a segurança da planta industrial e reduz os impactos provocados por descargas atmosféricas.
Qual é o papel dos DPS na proteção elétrica?
O SPDA, junto de um sistema de aterramento corretamente dimensionado, exige reforço quanto ao risco de sobretensão transitória, fator este que pode comprometer equipamentos elétricos por meio das redes de energia, telecomunicação ou comunicação de dados.
É aqui que entram os DPS — Dispositivo de Proteção Contra Surto —, os quais não substituem o SPDA, mas que exercem uma importante função de limitar picos de tensão, desviando a corrente excedente para o sistema de aterramento sempre que ocorre uma sobretensão.
Então, não opte por um ou outro, mas aplique ambos no seu sistema industrial.
Enquanto o SPDA protege a estrutura contra os efeitos diretos de uma descarga atmosférica, o DPS protege os circuitos elétricos e eletrônicos contra os surtos de tensão decorrentes dessa descarga ou de outras manobras na rede elétrica.
Normas técnicas que orientam o projeto
Para que você tenha direcionamento quanto ao que procurar e onde procurar, deixamos aqui a referência que você precisa:
- ABNT NBR 5419 (SPDA)
- ABNT NBR 5410 (Instalações elétricas de baixa tensão)
- IEC 62305 (referência internacional)
Conclusão
Muitas pessoas acham que a instalação de pára-raios é suficiente para definir um sistema como sendo eficiente contra descargas atmosféricas.
No entanto, é visto neste texto que a segurança da planta resulta da integração entre SPDA, aterramento, equipotencialização e DPS.
Além disso, é super importante que sua indústria realize um programa periódico de inspeção e manutenção, assegurando a integridade desses elementos de proteção.
Portanto, não pense duas vezes e invista em sistemas como estes, que protegem as pessoas, preservam equipamentos e garantem a continuidade operacional diante de um evento natural impossível de evitar.

