Na indústria, certos produtos precisam manter uma temperatura bem abaixo do ambiente. Isso é fundamental para preservar a sua integridade e, também, para manter as suas melhores condições de uso.
E esse é um dos grandes motivos para que os processos de refrigeração sejam tão importantes. Seja na indústria, no comércio, na prestação de serviços e, também, dentro da casa dos consumidores.
Caso esses processos não existissem, iríamos precisar rever muita coisa como no que diz respeito à produção de medicamentos e, também, a nossa alimentação, que são duas das aplicações mais importantes quando o assunto é refrigeração.
E para que seja possível manter esses produtos em plenas condições de uso, é necessário, além das máquinas e equipamentos, produtos capazes de mantê-los a baixas temperaturas.
Um desses produtos é o glicol que, misturado à água, é capaz de atingir um ponto de congelamento bem abaixo do que seria se utilizasse apenas a água na tentativa de refrigerar alguma coisa.
E é exatamente sobre esse produto que vamos falar mais no artigo de hoje. Portanto, se você quiser entender mais sobre o glicol e como ele pode contribuir para os processos de refrigeração industrial, é só nos acompanhar nesta leitura.
O que é glicol
O glicol é um componente orgânico que possui dois grupos de hidroxila, sendo eles o propileno e o etileno. O que lhes confere os seguintes nomes: propilenoglicol; etilenoglicol.
Suas propriedades lhe garantem uma grande vantagem quando o assunto é refrigeração. Isso porque ele possui uma temperatura de solidificação bem abaixo d’ água, por exemplo.
Deste modo, no seu estado líquido, suas propriedades fazem do glicol um componente que possui uma alta capacidade anticongelante.
E o que isso significa na prática?
É muito simples, por ter essas características o glicol assume o papel de componente refrigerante.
Em outras palavras, é a partir dele que o calor é retirado do ambiente e os sistemas são refrigerados em uma temperatura que a água não conseguiria refrigerar, a menos que se solidificasse, o que não é nada vantajoso.
Para se ter uma ideia da sua eficiência, é de ciência de muitos que a água congela a 0 graus, não é mesmo? Cerca de apenas 30% de etilenoglicol, diluído em água, já é o suficiente para fazer com que a temperatura de solidificação desse composto caia para algo próximo dos -14ºC.
Além disso, podemos citar diversas outras vantagens da aplicação do glicol como refrigerante, sendo elas:
- Trata-se de um produto que possui diversas aplicações como refrigerante;
- Não é uma substância tóxica no que diz respeito ao manuseio, e, inclusive, o propilenoglicol pode até mesmo ser ingerido por seres humanos; ¹*
- É facilmente diluído em água;
- Suas propriedades causa pouquíssimo impacto ambiental;
- Possui um baixo custo de aquisição.
¹* OBS: É importante ressaltar que os derivados do glicol como o monoetilenoglicol e dietilenoglicol são tóxicos, se ingeridos por seres humanos. E que, inclusive, o dietilenoglicol é o mais tóxico entre eles, podendo causar grandes problemas para a saúde de uma pessoa.
Como o glicol funciona dentro de um sistema de refrigeração
Para compreender a real importância do glicol, é necessário observar como ele atua dentro de um sistema de refrigeração industrial.
De forma simplificada, o glicol é utilizado como um fluido secundário. Isso significa que ele não é o refrigerante principal do ciclo, como o R134a, R404A ou CO₂, mas sim o fluido que circula entre o equipamento de refrigeração e o produto ou ambiente que precisa ser resfriado.
Essa circulação ocorre por meio de bombas, tubulações e trocadores de calor. O glicol absorve o calor do meio que necessita de resfriamento e o leva até o evaporador do sistema, onde esse calor é removido.
Por ser resistente ao congelamento, o glicol pode ser utilizado em temperaturas muito baixas sem o risco de solidificar e obstruir componentes do sistema, garantindo estabilidade e segurança operacional.
Concentração do glicol: por que isso importa?
A diluição correta do glicol é fundamental para garantir:
- eficiência térmica
- estabilidade do sistema
- proteção anticorrosiva
- prevenção de congelamento
Uma concentração muito baixa pode fazer com que o sistema não alcance a temperatura desejada. Por outro lado, concentrações excessivamente altas podem comprometer a circulação do fluido, aumentar a viscosidade e impactar negativamente o desempenho energético.
Em processos industriais, as concentrações mais comuns variam entre 20% e 40%, dependendo da temperatura de operação e das recomendações do fabricante.
Tipos de glicol: qual escolher?
Existem basicamente dois tipos de glicol utilizados na indústria:
Propilenoglicol
- Não tóxico
- Aprovado para aplicações alimentícias e farmacêuticas
- Mais seguro para uso em ambientes sensíveis
É a escolha ideal para processos onde há risco de contaminação cruzada, como em laticínios e bebidas.
Etilenoglicol
- Maior eficiência térmica
- Mais econômico
- Não deve ser usado em aplicações com risco de contato com alimentos ou medicamentos
É muito utilizado em grandes instalações industriais, HVAC e sistemas fechados.
Quais são as aplicações do glicol
Os componentes a base de glicol possuem uma série de aplicações na indústria e no comércio. Dentre elas, as mais comuns estão ligadas ao resfriamento de bebidas.
Mas, também é possível associar o seu uso ao processamento de alimentos, formulação de produtos farmacêuticos e, também, para o processamento químico.
Quando olhamos para os casos mais comuns, podemos encontrar vários exemplos do seu uso, sendo alguns deles:
- Cervejarias: No caso das cervejarias, o glicol é utilizado para controlar o processo de fermentação, além de contribuir com o armazenamento do produto.
- Vinícolas: Nas vinícolas a climatização do ambiente é muito importante, papel que é exercido pelo glicol. Além disso, ele também está dentro do processo de fermentação.
- Destilarias: Nas destilarias, é muito importante manter o controle da temperatura, sendo necessário reduzir drasticamente a temperatura em um curto espaço de tempo. O que se torna possível através do glicol. Além disso, ele também contribui para a fermentação dos produtos.
- Indústria Láctea: No caso dos lácteos, o resfriamento é imprescindível e é o glicol o responsável por resfriá-lo rapidamente. Isso garante que ele mantenha a sua integridade, ficando livre do crescimento de bactérias.
Outros setores que utilizam glicol
Além dos segmentos mais conhecidos, diversos outros setores dependem do glicol para garantir segurança e controle térmico:
Indústria química
Reações endotérmicas exigem controle rigoroso de temperatura. O glicol atua como fluido de transferência térmica.
HVAC industrial
Grandes sistemas de ar condicionado utilizam glicol para prevenir congelamento em tubulações e chillers.
Data centers
A manutenção térmica é crítica. O glicol ajuda a manter temperaturas estáveis mesmo em ambientes de alta carga térmica.
Indústria de congelados
Túneis de congelamento e linhas de resfriamento rápido utilizam glicol para garantir processos contínuos.
Cuidados essenciais no uso do glicol
O uso de glicol exige atenção a alguns pontos fundamentais que garantem tanto a eficiência térmica quanto a segurança operacional do sistema. Esses cuidados são importantes porque o fluido pode sofrer alterações ao longo do tempo, especialmente em sistemas de grande circulação ou submetidos a temperaturas muito baixas.
- Verificar periodicamente a concentração do fluido, assegurando que o teor de glicol permanece dentro da faixa recomendada para a temperatura de operação. Concentrações inadequadas comprometem o desempenho e aumentam o risco de congelamento ou de queda de eficiência energética.
- Monitorar o pH e os aditivos anticorrosivos presentes na solução. O glicol, quando degradado, pode ficar mais ácido e acelerar processos corrosivos em tubulações, trocadores de calor e bombas. A correção preventiva é essencial para manter a integridade do sistema.
- Inspecionar tubulações e conexões para evitar contaminações, vazamentos ou entrada de partículas que possam comprometer a circulação do fluido. Sistemas com glicol exigem boa vedação e filtragem para manter estabilidade a longo prazo.
- Prevenir a formação de espuma, oxidação e degradação térmica. A exposição prolongada do fluido a temperaturas acima do recomendado pode alterar sua composição, reduzir sua capacidade anticongelante e gerar subprodutos indesejados.
- Realizar trocas preventivas conforme recomendação técnica do fabricante ou de acordo com o histórico operacional do sistema. Em muitos casos, a vida útil da solução depende diretamente da frequência de análise e substituição do fluido.
Cuidar desses detalhes é essencial para preservar a eficiência do sistema, evitar falhas inesperadas e prolongar a vida útil dos equipamentos que dependem do glicol como fluido de transferência térmica.
Componentes de Refrigeração Industrial é na Nepin
Seja qual for a aplicação do glicol, dentro da sua indústria, na Nepin você vai encontrar uma série de componentes que vão contribuir e muito com a segurança e eficiência dos seus processos.
E podemos garantir isso pois estamos totalmente seguros da qualidade dos nossos produtos. Afinal, somos um grande parceiro da Danfoss, aqui no Brasil. O que é motivo de sobra para assegurar o que estamos dizendo.
E falando em produtos, aqui você poderá encontrar:
- Controladores de temperatura;
- Pressostatos;
- Transmissores de pressão;
- Válvulas Solenóides e muito mais.
No caso de alguma dúvida, entre em contato com a nossa equipe que vamos te ajudar a encontrar a melhor solução para o seu negócio.


